1) Este blog é um espaço para divulgação dos meus trabalhos autorais - ilustrações, textos, músicas... Sou um artista digital, ilustrador, compositor, cantor, músico... AUTODIDATA. 2) A maioria das ILUSTRAÇÕES abaixo são vetoriais, desenhadas diretamente com o mouse ou Tablet gráfica. Utilizo: ILLUSTRATOR, PHOTOSHOP, COREL...Há também desenhos 'tradicionais', em aquarela, esferográfica, nanquim, canetinha e outras técnicas. 3) Os TEXTOS, são tentativas de lavar a alma, com muita cara de pau. 4) As MÚSICAS são inéditas, detalhes em: VCSC.COM.BR 5) Não há um formato, ordem, tema, ou qualquer obrigação específica quanto aos assuntos abordados. Nem as assinaturas dos desenhos são iguais o tempo todo. Tudo aqui tem a lógica da inspiração que acontece, que pode acontecer, que tem acontecido e que já aconteceu.
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CHICO SCARPINI
(*) ATENÇÃO: Todo o conteúdo deste blog (textos, desenhos, vídeos, músicas...), É ORIGINAL e esta registrado em nome do autor.
Falo com portas, que me consideram porta. Que esfregam na minha cara, cada vez mais de carne que de pau: O quanto estou sozinho, o quanto não caminhei, o quanto é longe aquela estrela... Como é duro falar com portas, que me consideram porta.
A verdadeira arte não existe, vai existindo, nascendo e morrendo no olhar, no coração e na alma (para quem acredita em alma), de quem acha que consegue sentir o que é arte. Uma colagem de sensações, cada uma no seu momento, que acontece na velocidade do tempo e só pode ser contemplada na lembrança.
Só, independente das aparências. Absorvido para outro mundo, o tempo todo. Um universo particular, com as mais variadas temperaturas, onde não controlo absolutamente nada. Lá, anjos e demônios andam soltos.
No final das contas, tudo é lembrança. A que dói, a que ri, a que esquece, a que inventa, a que canta, que tenta, que senta, lamenta... E a que vão ter de você.
Penso, que talvez, perdão, pedir não sei, pois medo tenho de um não, talvez, que se não, perdão conseguir, doer vai, bem mais do que vale a pena pedir
Eu sei que erro tenho mais que cabe em mim, amor também, um tanto que nunca tem fim, que se não, merece perdão, doer vai, bem mais do que vale a pena pedir, perdão.
Uma nova vida, sempre. Morre a velha, vive a nova, viva a nova. Perecível, obviamente. Cada coisa, cada ser, cada história, cada verso. Esta é a grande justiça. A única justiça. O resto, é passatempo.
Enquanto os carros quebram lá fora, da janela do meu quarto, escarro o pigarro, da poeira que outrora, morava aqui dentro, e agora, neste exato momento, vôa feliz para o mundo.
Enquanto os prédios caem lá fora, da janela do meu carro, escarro o pigarro, da poeira que outrora, morava aqui dentro, e agora, neste exato momento, vôa feliz para o mundo.
Carlinhos não faz nada. Quer dizer, ele come, bebe, dorme , faz cocô, xixi, assiste TV e joga vídeo game. É assim desde a época do Telejogo, do Odissey, do Atari. Quando surgiu o seu primeiro tufo de cabelos brancos, pensou em mudar de vida, mas decidiu mudar de jogo, ou melhor, de console. Hoje ostenta um Playstation 3, que ganhou no último dia das crianças da sua mãe.
Carlinhos acorda tarde, raramente tira o pijama ou sai do quarto. Gosta de futebol, mas nunca foi a um estádio, já namorou, mas a sua namorada não se dava bem com a sua mãe e resolveu ir embora. Seus pais são funcionários públicos aposentados, dormem em camas e quartos separados a mais de 10 anos e nunca brigaram na sua frente.
Carlinhos adora a sua cadelinha de estimação, que a mãe trata, chamada Suzy. As vezes ela dorme na sua cama. Brincam e passam muito tempo juntos. Carlinhos também guarda todos os carrinhos que ganhou na infância, tem os álbuns de figurinha STAMP COLOR e PAULISTINHA completos e não deixa ninguém mexer no seu FALCOM. É um menino muito educado, respeitador de pai e mãe, adora suas tias, seus tios, seus avós e raramente fala palavrão, um amor de menino.
stereoTIPOS é uma série de textos que criei para retratar alguns perfís. São pessoas que de alguma forma conhecemos, fictícios pero no mucho. É inspirado em ilustrações do cartunista ANGELI na época da revista Chiclete com Banana, não lembro o nome da sessão na revista, mas sei que retratava tipos urbanos da época como o 'DARK', o 'PUNK', alguma coisa assim.
Ontem passei na minha antiga rua, deu saudade. Fui atropelado pelo caminhão do passado. Lembrei dos sons, das cores, dos cheiros, da velocidade e até da temperatura daquele tempo, daquele lugar e daquele tamanho que eu tinha. Que mundo gigante! Como eram bonitas as casas, até as mais simples, como eram baixos os muros, como eram largas as calçadas. Como eram divertidas as nossas tardes, até as mais nubladas, como era grande a nossa turma, como era gigante o nosso sonho. Hoje é bom, hoje é ruim, hoje é maravilhoso. Mas, só será um caminhão, amanhã.
Tô a toa, tô de qualquer jeito Empurrado pelo vento, dentro um nó no peito Tento, canto, qualquer tento Sento pois sinto que demorará Penso cinza e peço a Deus Por amor, vem me salvar (bis)
Rezo e morro, falo um palavrão Cavo um buraco novo, que vai para o Japão Grito seu nome, rasgo minha roupa e solto os meus cachorros E peço tudo de novo (bis)
Pois só quero da vida algo que de paz no meu coração Alguma coisa que transforme a sarjeta em bichinho de estimação Peço que a noite eu adormeça, um lindo sonho aconteça: Uma criança chupando o dedão
Photoshop
Esta é a arte da capa do single da música 'Oração'. Conheça também o site que apresenta o projeto musical VCSC aqui
Se eu te pego, eu te bato, te capo, te rapo, te faço te transformo em sapato, te esfolo, te taco no mato te penduro no laço, te raspo, te racho no taco te torturo com a pena de baixo do braço
Se eu te pego, te achato, te corto, te rasgo com um caco te arrebento, te marco, te arco, te ponho no tacho te enveneno, te espremo, te arranco fiapo a fiapo te costuro, te esfolo, degolo e do meio te racho
Se eu te pego, quebro em mil pedaços, te amasso, te asso corto fora seu saco, te queimo, te passo, te escracho
Ó, corrupto, se eu te pego, ó
Ó, corrupto, se eu te pego, ó Vai dar dó
Esta é a letra da música 'Ó'. Conheça o site do album VCSC aqui
Ontem, posso até ter gritado, esperneado, chorado. Era amor? Não sei, mas tenho certeza que não era hoje.
Antes de ontem, minha alma pode ter ficado daltônica, meu coração ressecado e minhas lágrimas em carne viva. Era amor? Não sei, mas tenho certeza absoluta que não era hoje.
Semana passada, sobrevivi a explosão de uma supernova, conheci o centro de uma galáxia e cheguei a ficar cego com um quasar. Era amor? Não sei, mas tenho certeza mais do que absoluta, que semana passada, faz muito tempo para um coração que ama hoje, como nunca amou na vida.
QUANDO A MARÉ VIROU (CONTO SOBRE UM POBRE PAULISTA) - Da série 'Qualquer Conto'
Segunda-feira, cinco da matina, muito trânsito em São Paulo. No meu carro, no lugar do som, um baita buraco no painel, a porta arrombada e a lembrança da mãe do filho da puta do arrombado do ladrão que fez aquela merda toda. Que raiva!
Maldita hora que não guardei o carro enquanto estava na casa da Miriam, bem que o seu Cleber avisou: -Coloca esse carro pra dentro, aqui a barra é pesada meu filho. -Esquenta não seu Cleber, a barra esta pesada em todo lugar.
Eu sempre guardava o carro, naquele dia, não estava a fim. -Menino? -Esse carro é protegido, levei a chave até a Aparecida do Norte, o padre benzeu. Deixa os santos trabalharem, eles estão bem descansados, não vai acontecer nada meu sogro. Vamos assistir o jogo, que já esta começando.
A partir daquele momento, alguma coisa virou. Não sei, parece que o universo começou a me testar: Meu time perdeu, a Miriam ‘encontrou’ um recado de uma amiga do trabalho no meu celular e começou a quebrar um puta pau, a D. Ângela, que sempre me defendeu, ficou do lado dela, o Antonio, cachorro velho e cego, que sempre ficava na boa, começou a latir sem parar da garagem, e o seu Cleber, bem mais chapado que o normal, roncava no sofá feito um porco, feito um porco não, feito um chiqueiro inteiro. Ele sempre ia pra cama quando chapava, desta vez resolveu hibernar na sala. Aquilo era um sinal, eu deveria ter percebido.
A discussão continuou por mais de uma hora e depois de muitos arremessos de sapatos, cinzeiros, porta-retratos e até uma banqueta, a coisa deu uma acalmada. O clima continuou esquisito, mas paramos de ‘falar’ sobre o assunto, fomos dar uma volta na rua, voltamos, começamos a assistir TV. Trégua.
Quando começou a tocar a músiquinha do Fantástico, levantei do sofá, peguei minha carteira e a chave em cima da mesinha da sala e fui com a Míriam para o carro me despedir, quando tive a desagradável surpresa em descobrir o motivo dos latidos do Antonio, a porta do meu carro estava arrombada, o painel detonado e o som, quer dizer, a 'bunda' do som , já era. Fiquei só com a carinha do aparelho, que , no impulso da raiva que estava sentindo, espatifei no chão e triturei com os pés enquanto gritava feito um louco, “LADRÃO FILHO DA PUTA! Vai trocar o meu som por pedra de crack na boca! Tomara que tenha uma overdose!”. Foi foda. Um som novinho, paguei a primeira parcela este mês, tinha mp3, entrada USB, controle remoto e os cambau. Ajeitei o que dava e fui pra casa, acabei nem me despedindo direito da Miriam.
...x...
No caminho, como era hábito, parei no posto do Seu Osmar, pedi ao Zé pra completar, mas a porcaria da chave do tanque resolveu não abrir. Hoje, definitivamente não era o dia, quer dizer, não era a noite. Tentei de tudo, chamamos outros frentistas, alguns clientes, a moça da floricultura, o cara do cachorro quente, o flanelinha... nada. A chave não entrava até o fim, consequentemente não abria porra nenhuma de tanque. Tentamos de todas as formas, com jeitinho, sem jeitinho, no grampo, na bota... nada dava certo. Tive que arrumar um chaveiro, no caso um amigo do primo da noiva do Zé, ‘um cabra muito bom’ segundo ele, 'barato e bom'. Eu não tinha muita opção, o tanque estava na reserva, se não abrisse, não chegaria em casa, estava no meio do caminho.
O cara chegou e foi direto abrir o tanque. Demorou muito pra chegar, umas 2 horas, mas arrumou rapidinho. Disse que algum espírito de porco encheu o buraquinho, onde entra a chave, com palito de dentes. Tive que morrer com R$100,00 pro chaveiro, paguei com a penúltima folha do talão de cheques, nem reclamei, queria ir embora. A gasolina, paguei com a última.
Continuei o meu retorno pra casa, peguei a marginal e fui embora, estava começando a desencanar da porta, do painel, do rádio roubado, do palitinho na tampa do tanque, da grana extra que tive que gastar com o chaveiro, da discussão com a Miriam, estava conseguindo desligar dos assuntos sórdidos, o carro rodava a 100, 110km por hora, tranquilo, de repente, comecei a passar por buracos, do nada, enormes. Eles não estavam ali ontem? Eram uma péssima novidade que tive que engolir, mais uma. Fui reduzindo, reduzindo, o trânsito ficando lento, muito lento, até parar. Parar total mesmo. Cachorro fazendo xixi na roda. Algo muito estranho pra aquele horário, mesmo em São Paulo. Eu estava muito cansado e começando a ficar muito nervoso novamente, agora, por causa do rush em pleno começo de madrugada no meio da marginal. Aquele monte de cratera, aquele monte de gente com cara de bosta e nenhuma explicação, nenhuma notícia no rádio, no caso, no rádio do carro do cara do lado, um bigodudo de camiseta regata branca com furinhos nas costas, que ficava buscando, num volume absurdo, notícias referentes aquele trânsito. Ele olhou pro meu carro e deu risada.
...x...
É engraçado a quantidade de gente que surge de repente, com os mais variados artigos nestas horas de trânsito intenso. A coisa vira uma feira ao ar livre. Mesmo em plena madrugada de domingo pra segunda. É neguinho vendendo amendoim, drops, bala, chocolate, carregador de celular, DVD pirata e um monte de outras tranqueiras. De repente, o céu começou a ficar escuro, um trovão, um raio e os primeiros pingos que logo se transformaram em uma chuva daquelas. Como num passe de mágica, o cara que vendia carregador de celular, passou a vender capa de chuva, o cara do amendoim, agora vendia guarda chuva, um outro, luva de borracha, roupa de borracha, pé de pato, devia ter até submarino. Imagina a cena, marginal parada e cheia de buracos, que após a chuva se transformaram em lagos, um mercado de peixe inteirinho gritando na sua orelha, o painel do carro arrombado, a porta torta, o bolso vazio, e agora o celular.
...x…
Era tarde e precisava ligar em casa para avisar o pessoal sobre a maré de azar que tomou a minha vida nas últimas horas. O pessoal é preocupado, minha mãe já tem a idade avançada, moramos eu, ela e uma irmã mais velha, quer dizer, uma irmã bem mais velha e chata. Mas o celular sumiu, do nada, de repente, sem aviso e justamente no meio daquele caos. Hoje, definitivamente, era o dia de pagar pecado. Se caísse um raio naquela marginal, com certeza seria em cima do meu carro, não iria estranhar, na realidade iria agradecer por não ser diretamente na minha cabeça.
Escutei no rádio do carro do meu, agora amigo, Josemar, a notícia que a marginal teve uma de suas pontes danificadas, mais precisamente a do Limão. Não sabiam ainda o motivo, mas não havia muito o que fazer, o negócio foi esperar. Tudo bem, três horas, quarenta e nove minutos, trinta e cinco, trinta e seis, trinta e sete... segundos na marginal, completamente parada. Uma maravilha! Rolou até uma 'chuvinha' pra refrescar. Viva a natureza, que beleza. O que mais esperar? uma bala perdida!? Só tenho a agradecer. Incrível! Obrigado meu anjo da guarda.
...x…
O sol estava raiando quando a marginal resolveu dar sinal de vida. Até que enfim a ponte estava arrumada. Neste momento, não queria saber de mais nada, nada do rádio roubado, nada da minha família, nada da fome que sentia, da grana, da chave do tanque, do celular, da Miriam, do chefe. Estava apenas contemplando os primeiros momentos da semana, sem resistir ou criticar as provações que me foram reservadas. Acho que ouvi este conselho de algum locutor no rádio do Josemar. Que bela segunda-feira, que bela manhã, que belo sol iluminando todo aquele cocô boiando suavemente junto aos pneus e aos dejetos do rio Tiête. Que aroma, que buquê, que espuma branquinha, que melodia exótica sendo executada pelas máquinas ao redor, que sensação bucólica. Nada mais incomodava, nada mais importava. Na minha mente, o vázio dos que meditam, no meu caso, dos que aprenderam a meditar a fórceps. Um vazio que foi sendo calmamente interrompido por uma dúvida, uma singela, inocente, quase infantil, dúvida: Cocô é palavrão?
Não sabe nada, um anjo sem lar ta na roubada, foi largado na rua, apimentaram sua boca, zoaram o seu chinelo, fizeram ele chorar
Calçada é dura, tempo faz acostumar Já foi bonito só que socaram sua cara, arrancaram todos os dentes, lhe deram um lindo presente, fizeram um belo colar
Nunca teve azas, seu dono mandou cortar Sem aza e sem casa, esse anjo endiaba, bagunça a calçada e não pede mais nada, quando a barriga ronca, quando a cabeça ronca, quando a alma ronca E o coração ronca
Pega o Exu, atrás do Belzebu, não deixa ele escapar Tomem muito cuidado que esse moleque é danado vai querer se vingar
Pega o Exu, atrás do Belzebu, não deixa ele escapar Tomem muito cuidado que esse moleque é danado Vive pedindo trocado e eu sei que tem um bocado, um bocado do nosso pecado E remorso pra nos criar
Esta é a letra de uma música do album VENHA COM SAPATOS CONFORTÁVEIS, em fase de pré-produção. Este Blog esta virando um DISCO e um SHOW. O audio aqui
Qual é o seu desejo, meu desejo? Me conta logo, pelo amor que tem no que acredita, se é que acredita. A onde vai dar tudo isso? Toda essa imaterialidade de expectativas que acertam o coração do meu coração. É muita flecha para uma alma, que já nem sabe se acredita em alma. Mas sente, meu Deus! Como sente. Para que serve todo esse dom, se não consigo viver dele? Responde meu Desejo! Será que o dom foi feito para isso? Ou será meu dom, de uma categoria que não se vive, apenas deseja. Uma espécie de maldição disfarçada de talento, que rouba das outras coisas que tento fazer, todo o capricho e toda a vontade. A onde vai dar tudo isso? Você quer que eu enlouqueça? Ou esta é sua forma de me curar? Me conta logo, pelo amor que tem, e pelo mesmo amor, me ajuda a acreditar. Qual é o seu desejo, meu Desejo?
Mãe dos sonhos menina de colo Te roubo um beijo, me vejo no espelho, espelho, seus olhos Te quero, promessa, futuro, distante Distancia é saudade
Mãe dos sonhos seu riso e sua lágrima Ensinam seu tempo, abrem seu jogo, me contam sua mágica É mulher criança, brincando com fogo Sem medo, sem se queimar
Se a chama apaga, acende de novo, que vira fogueira Se a mágica acaba, não liga é só mágica, temos a vida inteira Se chora é passado, seu brilho é mais forte, força verdadeira Se canta é sorriso, um sorriso sem mágoa
Mãe dos sonhos não me deixe ir embora Sem que o tempo, avise a hora Sem saber, se é certo ou não Querer roubar, em vez de um beijo, o seu coração
Esta é a letra de uma música que fará parte do album VENHA COM SAPATOS CONFORTÁVEIS, em fase de pré-produção. Este Blog vai se transformar em DISCO e SHOW. Em breve, o audio aqui.
Se o seu coração ta doendo, seja o motivo que for deixa que o tempo te cure meu bem, não pule dai por favor
É só você ter paciência, calmantes, ou um bom doutor saudade é coisa da vida também, não faça isso ai por favor
Não tente curar suas feridas, causando em você mais dor Enfrente os momentos da vida, não tome isso ai por favor
Esqueça quem não te merece, se foi era falta de amor Esqueça quem sempre te esquece e não merece todo esse rancor
Baby don’t go, baby don’t go (bis)
Esta é a letra de uma música que fará parte do album VENHA COM SAPATOS CONFORTÁVEIS, em fase de pré-produção. Este Blog vai se transformar em DISCO e SHOW. Em breve, o audio aqui.
Acorda, levanta pro mundo, vai se vestir de coragem Esquece de tudo, que te deixou na saudade Levanta essa bola, vê se descola Reinventa a cidade do jeito que dá
Caminha e carrega contigo, a sua felicidade Não importa o tamanho, o que importa é vontade Se mexa e balance, seu corpo ta vivo Não importa onde está
Seja feliz agora Aqui, ali, do Oiapoque a Paris, Berlim, Madri, Bali Em Gothan City ou no Ceará
Seja feliz agora Em São Paulo ou no Rio, em Tókio ou chuí, Salvador Chernobyl Em Nova York ou no Pais de Alah
Esta é a letra de uma música que fará parte do album VENHA COM SAPATOS CONFORTÁVEIS, em fase de pré-produção. Este Blog vai se transformar em DISCO e SHOW. Em breve, o audio aqui.
Acabou a festa, se é que ela aconteceu algum dia, acho que sim. Não sei, pensei que estava na festa. Acho que era festa, ou a vida acontecendo de alguma forma que não soube interpretar, a não ser como festa. Coisa de maluco. Coisa de quem não tem mais o que fazer. Coisa de quem gosta tanto da festa, que sente mais sofrimento com o seu fim, do que alegria com a sua existência. Coisa de quem não quer voltar para casa. Coisa de quem anda vazio, como um fim de festa, com convidados e até penetras abandonando a bagunça para quem fica, junto com os copos quebrados, os móveis desarrumados, o chão molhado e sujo, cheio de marcas de sapatos, bitucas de cigarro e objetos órfãos.
Vida, assim eu te vejo Louca, quando é madrugada Triste, quando é fim de festa Longa, se não vale nada
Vida, assim eu te canto Gosto, dos versos mais curtos Posso, saber seus segredos Para não fazer frase errada
Eu sei, você não sabe O que falam por ai Me conta seus secredos Pois só assim vou te entender
Sabe, tudo Eu quero mudar, o mundo
Sabe, assim meus desejos Tudo, não vão mudar nada Muda, não mudou pra vocês? Mundo...
Eu sei, você não sabe O que falam por ai Me conta seus secredos Pois só assim vou te entender
Sabe tudo, muda tudo, vira mundo cabeçudo Cabe tudo, gira tudo, vira mundo cabeludo (bis)
Esta é a letra de uma música que fará parte do album VENHA COM SAPATOS CONFORTÁVEIS, em fase de pré-produção. Este Blog vai se transformar em DISCO e SHOW. Em breve, o audio aqui.
Tô a toa, to de qualquer jeito Empurrado pelo vento, dentro um nó no peito Tento, canto, qualquer tento Sento pois sinto que demorará Penso cinza e peço a Deus Por amor, vem me salvar
Corro, grito, rezo e morro, falo um palavrão Cavo um buraco novo, que vai parar lá no Japão Grito seu nome, rasgo minha roupa e solto meus cachorros E peço tudo de novo
Pois só quero da vida algo que de paz no meu coração Alguma coisa que transforme a sarjeta em bichinho de estimação Algo que tire da minha cabeça, que para sempre ela esqueça O que não tem mais solução Peço que a noite eu adormeça, um lindo sonho aconteça: Uma criança chupando o dedão
Esta é a letra de uma música que fará parte do album VENHA COM SAPATOS CONFORTÁVEIS, em fase de pré-produção. Este Blog vai se transformar em DISCO e SHOW. Em breve, o audio aqui.
A cidade acende, movimentos para todos dos lados. Cores, formas, sons e odores que disfarçam o choro e as lágrimas que escorrem nas canaletas da avenida, transformando seus filhos, liberando desejos. Movimentos que celebram mais um dia que se foi.
Viva a Deusa noite, que começa a nos seduzir, mostrando sua coxa por trás da cortina de fumaça, que sai dos canos da cidade enlouquecida. O show esta começando, teremos muita ação em cada esquina. Viva o brinde que começa a acontecer fácil em todo lugar, afirmando que continuar vivo é um bom negócio, pelo menos por enquanto. Viva os sonhos embriagados. Viva os exageros, autorizados ou não, pelo estabelecido. Viva o delírio. Viva a lucidez. Viva até quem não brinda. Viva até quem não vive.
Hoje será mais uma noite perfeita. Há monóxido de carbono para todos, há crédito para alguns, as verdadeiras drogas que viciam, gratuitamente, tudo que respira e sonha na cidade que acende.
O velcro vai colar. Ninguém pode impedir a cidade de mostrar suas luzes à Deusa noite. Há muitos sorrisos no ar, e as damas prometem, mesmo que seja uma grande mentira, elas sempre prometem, e nós acreditamos.
Temos muitas horas e não estamos sozinhos. Nossa consciência ainda não pesa e sabemos que todos, absolutamente todos, vão ter que rachar a conta no final. Essa é a lei da cidade que acende, este enorme boteco de luxo e de lixo, feito de sonhos e pesadelos, disfarçados de concreto e luz, mais uma noite, imitando a vida.
É só mais um adeus nosso enfim despedir talvez vazio e fatal
O que deixaste encruou O que levaste é teu ficou o oco do não
sobrou o seco do fim Que doeu mais em mim marcou meu coração
Desprezo que me levou A pensar mal de ti com esta pena na mão
Confesso que jamáis pensei tão cruel assim, nosso fim
Confesso, não acreditei, em você nem em mim
Esta é a letra de uma música nova, parceria minha com CAIO ANDRADE (letra e música), que fará parte do album VENHA COM SAPATOS CONFORTÁVEIS, em fase de pré-produção. Este Blog vai se transformar em DISCO e SHOW. Em breve, o audio.
Amigos do peito, desconhecidos curiosos, pessoas que tem coragem, malucos de plantão e covardes de toda espécie, eu tenho um recado sobre a vida, que vem diretamente das profundezas confusas da minha mente para vocês. Não se trata de nenhuma novidade, quero apenas ser mais um a discorrer sobre um dos assuntos mais batidos que conheço. Por puro capricho, indignação, desabafo e exercício da cara de pau. É o seguinte: na realidade, ninguém sabe porra nenhuma sobre coisa alguma relacionada ao que somos, de onde viemos e para onde vamos.
Podem aparecer com soluções espirituais, físicas, metafísicas ou o que for necessário para justificar o ser humano, a vida, o sofrimento, as injustiças. O fato é que ninguém nunca prova nada.
A terra pode ser uma nano partícula de algum organismo que neste exato momento pode estar com as mesmas dúvidas que nós temos, que também pode ser outra nano partícula... Podemos estar na dimensão 'X' que ao mesmo tempo comporta a dimensão 'Y' em outra vibração, ou velocidade, ou seja lá o que for que vai existindo independente da outra, no mesmo espaço tempo onde acumula mundos infinitos. Podemos ser ecos de um pensamento, pensando existir de fato, enquanto a nossa verdadeira existência não se lembra que existimos pois somos os seus sonhos esquecidos. Podemos ser realmente a imagem e semelhança de um Deus criador aprendendo a merecer o caminho do paraíso, ou penando por pecados cometidos em outras existências que não lembramos por gratidão divina, ou ovelhas que foram salvas pelo sofrimento do filho do criador que precisa de um sacrifício, ou a colônia de algum planeta que se alimenta do nosso sofrimento, da nossa dúvida, ou o que a imaginação permitir, inclusive uma, ou várias, possibilidades apontadas pela ciência. Um acidente, um acaso que foi evoluindo até o que somos, que vai se adaptando muito lentamente às condições que vão se estabelecendo. Não dá para saber exatamente. É tanta estória que vamos ouvindo, tantas crenças que vão tentando plantar e plantam em nossas cabeças, tantas evidências óbvias que vão sendo derrubadas com o tempo, que vamos nos perdendo. Somos perdidos.
É uma falação dos diabos (opa!), uma disputa infernal (opa!) pela 'verdade'. Um desafio à razão, à emoção, aos nervos. Tenho dificuldade em confiar, ao mesmo tempo em que o meu maior desejo, seria, realmente confiar. Meu senso crítico não permite. Há injustiças por todos os lados, cometidas o tempo todo. Muitas vezes sem querer, por ignorância, por pura maldade, por motivos de força maior, por arrogância, por azar… É tanta gente passando fome, necessidade, sofrendo por amor, saudade, vontade, por falta de recursos, doenças e toda uma sorte de situações de dor, que fica difícil manter algum tipo de fé. A impressão que tenho é que alguns sofrem menos, e outros mais, e o motivo aparente nunca é justo. Parece que a coisa foi feita para ser assim. Isso me revolta. Desculpem se pareço ingênuo.
Ando revoltado a muito tempo. Escuto em todo canto que a revolta não resolve nada, muito pelo contrário, piora tudo. Vivo tentando não me revoltar, mas parece ser pior quando não me revolto, me sinto um covarde, um inútil, um falso que aceita calado o que não concorda. Tento ouvir as vozes que me pedem para puxar o freio, tento transformar essa revolta em algo útil, em um 'não concordar' didático, pausado, pensado, político,com jogo de cintura, cheio de dedos para não ofender quem importa (quem importa?). Talvez, continuando assim, aprendendo a ser 'bonzinho', ou esperto o suficiente para usar os códigos certos nos momentos certos, os anjos, os santos, os espíritos, os orixás, os deuses, Jesus ou até mesmo Deus o nosso criador, ou quem sabe, um Marciano, podem dar uma luz.
Não quero dizer que não percebo os prazeres, as emoções maravilhosas e os presentes que a vida e a natureza nos permitem. Não quero dizer que não há paz, amor, alegria, felicidade. Essas coisas existem. O problema é a equação da paz, do amor, da alegria e da felicidade, com a dor e o tempo que ela pode durar. Sinceramente, isso me deixa muito puto. Eu não sei resolver essa maldita (opa!) conta. A maioria das pessoas que conheço não sabe. Algumas pensam que sabem, mas não sabem, apenas mentem, para si e para os outros, entrando numa espécie de hipnose, conduzida por uma necessidade de crença que parece morar em nosso DNA, e só serve para fundir, ainda mais, a cuca de indignados como eu.
Não há pra onde correr, as vezes penso que o suicídio seria uma boa colher para cavar esse túnel à 'liberdade', mas minha coragem limita-se ao pensamento. Já escutei e sou influenciado por muitas estórias e tenho medo de encontrar um diabo (opa!) ainda maior do 'outro lado'. Confesso que já pensei em algumas formas de cometê-lo. A que mais gostei foi uma onde não parto sozinho, mas em caravana, com todos os seres do planeta, de uma só vez. Um suicídio geral, com o objetivo de entupir o céu. Uma forma de protesto pela falta de manual de instrução aqui na Terra. Seria engraçada a cena, tão engraçada quanto impossível. Já pensou no trabalho para convencer todos. Fora que poderíamos chegar lá e descobrir que tudo não passa de uma grande pegadinha, ou, um grande e muito provável, nada.
Não sou negativo, sou apenas mais um questionador, perdido, revoltado e curioso. Que já leu, viu, assistiu e ouviu um monte de coisas em busca de algum entendimento e paz - do psicólogo ao centro de macúmba, da brincadeira do copo à ressonância magnética, dos Florais de Bach ao Prozac - e nunca conseguiu nada. Um cara alegre, mas que em boa parte do tempo, não consegue deixar de sentir-se como um animal puxando uma carroça com carga desconhecida e pesada, movendo-se pelo desejo incontrolável de abocanhar a cenoura gigante do esclarecimento. Palavra de alguém que tem fé, mesmo não conseguindo acreditar efetivamente em nada até agora, que vive confuso e só queria entender o universo, só isso.
É bela a vida, que você faz questão de desfazer É bela a vida, você chora sem saber porque Outra saída, eu não vejo mais Viver a vida, a nossa chance de paz
Um belo dia um anjo me contou toda a nossa história (eu não acreditei) Enquanto falsos anjos choravam e cantavam a nossa história mais uma vez
Então vai, pra longe de mim Eu sei não dá mais
Então vai, pra longe de mim Até nunca mais
Pois eu sei, eu sei acabou olha só o que o tempo faz
Histórias daquela época - A Peneira no São Paulo F. C.
-Chiquinho, que posição eu falo que jogo?
-Fala que você joga no centro, na defesa.
-Beleza e onde eu tenho que ficar dentro do campo?
-Fica atrás, perto do goleiro, você fica lá e não deixa ninguém do time adversário passar, quando os caras vierem com a bola, você vai com tudo e trava a jogada, você é corpudo, toma a bola e depois passa pra alguém do seu time que estiver na frente.
-Beleza chico.
De repente aparece um cara com agasalho do São Paulo.
-Quem nasceu em 71 me acompanhe!
Segui o homem, eu e mais um amigo, o Marquinhos, que naquela época também atendia por Quácula, deixando meu irmão e o resto da turma na entrada, todos estavam eufóricos com a chance de participar do teste que poderia mudar nossas vidas, um nervosismo geral. Imagina, ter a grande chance de 'virar' jogador profissional do São Paulo futebol Clube tão cedo, não importava se éramos Santistas, Palmeirenses, Corintianos, naquela hora éramos todos Pó de Arroz com muito orgulho, candidatos a um futuro de fama, grana e muita glória, inclusive eu.
Entramos no vestiário, onde o homem começou a distribuir as camisas, a coisa era bem objetiva, ele olhava pra nossa cara, fazia umas perguntas, dava a camisa e rapidamente ia montando os times conforme a resposta de cada 'atleta' mirim, faríamos um RACHÃO com duração de 10 minutos de cada lado do campo ou o tempo que fosse necessário para eles avaliarem o nosso talento. Eu fui um dos primeiros, tinha um bom porte e respondi com segurança as suas perguntas, peguei minha camisa e fui logo sendo convocado à me trocar para participar do primeiro jogo, eu e o Quácula, que era goleiro dos bons. Colocamos as nossas chuteiras e ficamos esperando o chamado para a batalha, a partir daquele momento éramos uma equipe, competindo com o time adversário e entre nós, uma tensão e uma emoção total, nosso time tinha que ganhar e o nosso futuro estava em jogo.
Entrei naquele campo enorme com o chão de terra batida e fui pra perto do Quácula, enquanto todo mundo ficava batendo aquela bolinha antes da partida começar, fazendo aquela pressão, mostrando uma pontinha do seu talento. Chutes a gol, embaixadas, passes, parecia um circo onde os artistas iam mostrando seus números antes do show começar e eu, correndo para lá e pra cá, parecendo o bobo do bobinho, nervoso, sem pegar na bola, mas de certa forma me aquecendo. O Quácula apesar do nervosismo dava risada, olhei para a arquibancada e vi que todos os candidatos a WALDIR PERES, ZÉ SÉRGIO e SERGINHO CHULAPA estavam lá para assistir a primeira partida daquela peneira, vi meu irmão e a turma toda que também dava risada.
O juiz apita o inicio da partida - o nosso time começou - o capitão passa a bola para um cara, que passa para outro, que de repente da um passe longo para trás... Filho da puta! A coisa ficou em câmera lenta na minha percepção, aquela bola alta vindo na minha direção, uma parábola do inferno. Não! não era a hora ainda para eu aparecer no jogo, estava tudo muito no começo e eu ainda não me sentia confortável com os meus 'dons' de 'jogador', pensei que conseguiria levar a partida numa boa e só apareceria quando o time adversário atacasse, onde eu 'quebraria' o primeiro que tentasse passar, sempre salvando o meu time antes do goleiro, meu amigo do peito, correr riscos... Não! não podia ser verdade, o que fazer? Não sabia se matava a bola no peito, acalmava com o joelho e chutava para a frente ou se recebia com o pé, parava, olhava para os lados e depois dava um passe para o meu companheiro da direita, não sabia nem se era capaz de acertar o chute, imaginei o ridículo de chutar o ar enquanto a bola quicava o chão, imaginei a arquibancada indo abaixo de tanto rir da minha cara, imaginei um monte de tragédias pra lá de gregas... em uma fração de segundos, dezenas de possibilidades e todas ruins para o meu lado, mas nada comparado ao que aconteceu.
Eu não errei a bola quando ela aterrisou na minha chuteira, acertei o chute, quer dizer... mais ou menos. Se tivesse acertado 'na veia', a bola teria ido direto para a área do time adversário, tamanha a força e a vontade que coloquei no chute, seria fantástico, um começo triunfante, mas não foi o que aconteceu, eu acertei o chute na bola... mas com o dedinho minguinho do pé. Foi impressionante a cena... parecia que eu estava dando um golpe, tipo capoeira, chutei, a bola bateu no meu dedinho, ela desacelerou e começou uma nova parábola mantendo o sentido original, só que na direção exata do ângulo do nosso gol, o Quácula até que tentou, fez uma ponte belíssima, coisa de profissional, mas não teve jeito. Fiz o meu PRIMEIRO e ÚLTIMO gol no São Paulo Futebol Clube.
Posso garantir que fiquei MUITO FAMOSO naquele dia.
Dorme meu filho, saia desse sonho para entrar em outro. Aproveite a melhor fase da sua vida. Papai esta aqui, sonhando com você, só que dentro de outro sonho, sentado na janelinha, de onde pode te ver dormindo, em paz e lindo, como sempre.
Não tenho certeza de nada. Nada do que me contam, nada do que me conto, nada do que vejo, nada do que toco, nada do que sinto e nada do que penso. Só sei que dói, só sei que é bom e só sei que acaba.
Os Santos. Gente muito boa. Todos, de certa forma, felizes. A trilha sonora é a televisão ligada e o som do rádio mal sintonizado. Marilú, a filhota, esta radiante, acaba de decorar a nova coreografia do "RBD". O filho do meio também, conseguiu finalizar a letra do seu mais novo RAP, uma rima complicada, "canhão, trezoitão, ladrão, irmão, arrastão", uma epopéia.
A Mãe, D. Leidi Laura dos Santos está impaciente, não consegue dar conta da receita que aprendeu no programa da Ana Maria Braga, provavelmente por conta de alguma anotação errada, mas vai acabar falando com a Terezinha, sua vizinha e resolver o problema, como sempre. Ganhou no bingo, o dinheiro para comprar os ingredientes. Não é sempre que tem a oportunidade de fazer uma receita tão chique, deu pra comprar tudo, não teve nem que trocar o tal do funghi secchi por bacon, santo bingo.
Seu Adão, ‘O chefe’, não vê a hora de começar o jogo na TV, final do Brasileirão com o seu timão, campeão com certeza. A caixa de cerveja, pendurada no bar do ZITO, morando na geladeira desde às 8 da manhã, seria justificada no final da tarde. Pena que Sócratis, seu filho mais velho, esta de serviço, é vigia em um condomínio de luxo... Tudo bem, o timão vencendo, está tudo certo.
Os Sanches, gente boa. Cada um com a sua graça, todos, de certa forma, BEM. A trilha sonora varia conforme o quarto. Paty (Britney Spears no iPod), aliviada, passou de ano, está de férias. Acabou a preocupação com as provas, os trabalhos em grupo e as lições de casa, agora, apenas os horários da natação, as aulas de Spining e o curso de espanhol (seu professor particular de inglês está em OHIO desde outubro fazendo MBA). Experimenta a roupa que usará no clube, quer muito que Cíntia e Ana conheçam seu novo conjuntinho da AMP, presente de natal antecipado da sua madrinha Sophia que mora lá em Alphaville. Marcelo, seu ficante do mês talvez perceba, Paulo com certeza perceberá.
Alexandre, como sempre, roncando. Quarto fechado, rock no computador, volume no dois, TV ligada, telefone fora do gancho e alma em outro mundo. Antes das três, esquece. Chegou tarde. É fã de CPM22, D2, Dj 1, busca a alquimia dos estilos desses sons em sua nova banda, o TOD4. Tudo está sempre numa boa, só não pode ser acordado "de madrugada", vira uma fera, adora comer macarrão com molho a bolonheza e Coca-Cola no café da manhã, principalmente no domingo.
D. Mazé, uma mulher na moda, botox, muitas bolsas, sapatos, lingeries, cremes, xampus, prestação no cartão de crédito, cheques pré-datados, carro semi novo do consórcio e aula de funk e pilates na academia. Pensa na desculpa que vai usar para explicar o help que pedirá ao MARIDÃO - estourou no cheque especial - alguma ‘coisa’ com renda talvez ajude (ou não!?!).
Seu Carlo, placa de gerente do ano na estante, livro do Lair Ribeiro na pasta e pulseira do equilíbrio no pulso, usa uma colônia comprada no free shopping (nome complicado), bermuda da Lacoste e chinelo da Side Walking. Prepara o discurso com as recomendações, orientações e declarações de amor paterno que fará à filha quando levá-la ao clube, aproveita e já pensa nas perguntas que fará quando for buscá-la, escuta CBN, assina Você S/A.
Família Lorca, gente elegante. Todos estão viajando, até os cachorros foram para um hotel especializado em Higienópolis, uma colega da Dra. Elke recomendou.
Passaportes, milhagens, condomínio fechado, quadras, piscinas, quartos, salas, pé direito alto, muitas obras de arte, jardim de inverno e alguns empregados. O vigia, da empresa Q-PROTEJ, passa por lá a cada 20 minutos. Tudo em ordem. Trilha sonora: pássaros, brisa e o narrador do jogo pelo rádio.
Foram para Suíça a uma semana, menos Dr. Pedro, que só embarcou no vôo de ontem à noite, tinha homenagens e prêmios aos melhores executivos da companhia, era uma tradição a entrega das placas em mãos pelo presidente, coisas de final de ano.
(*) texto escrito em uma tarde de 2007, na correria de um dia de trabalho 'normal'.