1) Este blog é um espaço para divulgação dos meus trabalhos autorais - ilustrações, textos, músicas... Sou um artista digital, ilustrador, compositor, cantor, músico... AUTODIDATA. 2) A maioria das ILUSTRAÇÕES abaixo são vetoriais e foram desenhadas diretamente com o mouse, utilizo: ILLUSTRATOR, PHOTOSHOP, COREL...Há também, desenhos 'tradicionais' feitos com aquarela, esferográfica, nanquim, canetinha e outras técnicas. 3) Os TEXTOS, são tentativas de lavar a alma, com muita cara de pau. 4) As MÚSICAS são inéditas, maiores detalhes, AQUI. 5) Não há um formato, ordem, tema, ou qualquer obrigação específica quanto aos assuntos abordados. Nem as assinaturas dos desenhos são iguais o tempo todo. Tudo aqui tem a lógica da inspiração que acontece, que pode acontecer, que tem acontecido, que já aconteceu.
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CHICO SCARPINI
(*) ATENÇÃO: Todo o conteúdo deste blog (textos, desenhos, vídeos, músicas...), É ORIGINAL e esta registrado em nome do autor.
Ontem passei na minha antiga rua, deu saudade. Fui atropelado pelo caminhão do passado. Lembrei dos sons, das cores, dos cheiros, da velocidade e até da temperatura daquele tempo, daquele lugar e daquele tamanho que eu tinha. Que mundo gigante! Como eram bonitas as casas, até as mais simples, como eram baixos os muros, como eram largas as calçadas. Como eram divertidas as nossas tardes, até as mais nubladas, como era grande a nossa turma, como era gigante o nosso sonho. Hoje é bom, hoje é ruim, hoje é maravilhoso. Mas, só será um caminhão, amanhã.
Tô a toa, tô de qualquer jeito Empurrado pelo vento, dentro um nó no peito Tento, canto, qualquer tento Sento pois sinto que demorará Penso cinza e peço a Deus Por amor, vem me salvar (bis)
Rezo e morro, falo um palavrão Cavo um buraco novo, que vai para o Japão Grito seu nome, rasgo minha roupa e solto os meus cachorros E peço tudo de novo (bis)
Pois só quero da vida algo que de paz no meu coração Alguma coisa que transforme a sarjeta em bichinho de estimação Peço que a noite eu adormeça, um lindo sonho aconteça: Uma criança chupando o dedão
Photoshop
Esta é a arte da capa do single da música 'Oração'. Conheça também o site que apresenta o projeto musical VCSC aqui
Se eu te pego, eu te bato, te capo, te rapo, te faço te transformo em sapato, te esfolo, te taco no mato te penduro no laço, te raspo, te racho no taco te torturo com a pena de baixo do braço
Se eu te pego, te achato, te corto, te rasgo com um caco te arrebento, te marco, te arco, te ponho no tacho te enveneno, te espremo, te arranco fiapo a fiapo te costuro, te esfolo, degolo e do meio te racho
Se eu te pego, quebro em mil pedaços, te amasso, te asso corto fora seu saco, te queimo, te passo, te escracho
Ó, corrupto, se eu te pego, ó
Ó, corrupto, se eu te pego, ó Vai dar dó
Esta é a letra da música 'Ó'. Conheça o site do album VCSC aqui
Ontem, posso até ter gritado, esperneado, chorado... era amor? não sei, mas tenho certeza que não era hoje.
Antes de ontem, minha alma pode ter ficado daltônica, meu coração ressecado e minhas lágrimas em carne viva ... era amor? não sei, mas tenho certeza que não era hoje.
Semana passada... bom, semana passada, pro coração, faz muito tempo. Mas tenho certeza absoluta que não era hoje.
QUANDO A MARÉ VIROU (POBRE PAULISTA) - Da série 'Qualquer Conto'
Segunda-feira, cinco da matina, para variar, muito trânsito em São Paulo. No lugar do som, um baita buraco no painel do meu carro, a porta arrombada e a lembrança, toda vez que olho para aquela zona, da mãe do filho da puta do arrombado do ladrão que fez aquela merda toda. Que raiva!
Maldita hora que não guardei o carro enquanto estava na casa da Miriam, bem que o seu Cleber avisou: -coloca esse carro pra dentro, aqui a barra é pesada meu filho. -Esquenta não seu Cleber, a barra esta pesada em todo lugar -Eu sempre guardava o carro, naquele dia, não estava a fim. -Menino? -Esse carro é protegido, levei a chave até a Aparecida do Norte, o padre benzeu. Deixa os santos trabalharem, eles estão bem descansados, não vai acontecer nada, vamos assistir o jogo, que já esta começando.
A partir daquele momento, alguma coisa virou. Não sei, parece que o universo começou a me testar. O meu time perdeu, a Miriam ‘encontrou’ um recado de uma amiga do trabalho no meu celular (sapatão, eu juro!), e começou a quebrar um puta pau, a dona Ângela, que sempre me defendeu, ficou do lado dela, o Antonio, cachorro velho e cego, que sempre ficava na boa, começou a latir sem parar da garagem, e o seu Cleber, bem mais chapado que o normal, roncava no sofá feito um porco, feito um porco não, feito um chiqueiro inteiro. Ele sempre ia para cama, dessa vez resolveu hibernar na sala. Aquilo era um sinal, eu deveria ter percebido.
A discussão continuou por mais de uma hora e depois de muitos arremessos de sapatos, cinzeiros, porta-retratos e até uma banqueta, a coisa deu uma acalmada. O clima continuou esquisito, mas paramos de ‘falar’ sobre o assunto, fomos dar uma volta na rua, voltamos, começamos a assistir TV. Trégua.
Quando começou a tocar a musiquinha do Fantástico, levantei do sofá, peguei a chave em cima da mesinha da sala e fui para o carro me despedir da Míriam, quando tive a desagradável surpresa de descobrir o motivo dos latidos do Antonio: a porta do meu carro estava detonada, o painel mais detonado ainda e o rádio, quer dizer, a bunda do rádio, foi pro saco, fiquei só com a carinha do aparelho, que , no impulso da raiva que estava sentindo, espatifei no chão e triturei com os pés enquanto gritava feito um louco “LADRÃO FILHO DA PUTA! Vai trocar o meu som por pedra de crack na boca, tomara que tenha uma overdose”. Foi foda. Um som novinho, paguei a primeira parcela este mês, tinha mp3, entrada USB e os cambal... Ajeitei o que dava na porta do carro e fui pra casa, nem me despedi direito da Miriam.
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No caminho, como era hábito, parei no posto do Seu Osmar, pedi ao Zé para completar, mas a porcaria da chave do tanque resolveu não abrir. Hoje, definitivamente não era o dia, quer dizer, a noite. Tentei de tudo, chamamos outros frentistas, alguns clientes, a moça da floricultura, o cara do cachorro quente, o flanelinha e nada. A chave não entrava até o fim, consequentemente não abria porra nenhuma de tanque. Tentamos de todas as formas, com jeitinho, sem jeitinho , no grampo, na bota... nada dava certo. Tive que arrumar um chaveiro, no caso um amigo do primo da noiva do Zé, ‘um cabra muito bom’ segundo ele, barato e bom. Eu não tinha muita opção, o carro estava com o combustível na reserva, se não abrisse o tanque, não chegaria em casa, e ainda estava no meio do caminho, faltavam 9 km.
O cara chegou, e foi direto abrir o tanque, nem comprimentou ninguém. Demorou muito pra chegar, umas 2 horas, mas arrumou rápido. Disse que algum espírito de porco, provavelmente algum moleque da rua da Miriam, encheu o buraquinho, onde entra a chave, com palito de dentes. E eu pergunto, 'por que não enfiam o palito no cú, mulecada do caralho!'. Dancei. Tive que morrer com mais cem pro chaveiro, paguei com a penúltima folha do talão, nem reclamei, queria ir embora, a gasolina, paguei com a última.
Continuei o meu retorno, peguei a marginal e fui, já estava começando a desencanar do rádio, da tampa do tanque, da grana extra que tive que gastar com o chaveiro, da discução com a Miriam, consegui chegar a uns 100/110km/h com o carro, quando de repente, comecei a passar por buracos que surgiram do nada, enormes. Aqueles buracos não estavam ali ontem, aqueles buracos eram novidade. De repente tive que reduzir, fui reduzindo, reduzindo, o trânsito ficando lento, muito lento, até parar, parar total mesmo. Cachorro fazendo xixi na roda. Isso não era normal para aquele horário. Eu estava muito cansado, começando a ficar, novamente, muito, mais muito nervoso mesmo, agora, por causa do rush em pleno começo de madrugada no meio da marginal. Aquele monte de cratera, aquele monte de gente com cara de bosta e nenhuma explicação, nenhuma notícia no rádio, no caso, no rádio do carro do cara do lado, um bigodudo de camiseta regata branca com furinhos nas costas, que ficava buscando, num volume absurdo, notícias referentes aquele trânsito. Ele olhou pro meu carro e deu risada da situação.
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É engraçado a quantidade de gente que surge de repente, com os mais variados artigos, nessas horas de trânsito intenso, nas grandes vias desta cidade de corno. A coisa vira uma feira ao ar livre, mesmo em plena madrugada de domingo para segunda. É neguinho vendendo amendoim quentinho, drops, bala, chocolate, carregador de celular, DVD pirata e um monte de outras tranqueiras, mas o festival de desgraças não parou por ai não. Como se não bastasse, o céu comecou a ficar escuro, depois, um trovão, um raio e os primeiros pingos, e , incrivelmente, como num passe de mágica, o cara que vendia carregador de celular, passou a vender capa de chuva, o cara do amendoim, agora vendia guarda chuva, um outro, luva de borracha, roupa de borracha, pé de pato...Imagina a cena, marginal parada e cheia de buracos, que após a chuva viraram possas, lagoas, represas, um mercado de peixe inteirinho gritando na orelha, o painel do carro arrombado, a porta torta, o bolso vazio, e agora o celular.
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Era tarde e precisava ligar em casa para avisar o pessoal sobre a maré de azar que virou a minha vida nas útimas horas. O pessoal é preocupado, minha mãe é uma senhora de idade, moramos eu, ela e uma irmã mais velha, quer dizer, uma irmã bem mais velha e chata. Mas o caralho do celular sumiu, do nada, de repente, sem aviso prévio, justamente numa hora dessas? Será que deixei no posto? Só pode ser isso. Realmente, hoje o cosmos resolveu conspirar contra, deve ser saldo antigo, definitivamente, hoje era o dia de pagar pecado, só isso explica a quantidade de zica que não parava de acontecer. Se caísse um raio naquela marginal, com certeza seria em cima do meu carro, não ia nem estranhar, inclusive acharia normal.
Escutei no rádio do carro do meu, agora amigo, Josemar, a notícia de que a marginal teve uma de suas pontes danificadas, mais precisamente a do Limão. Não noticiaram o motivo, mas não havia muito o que fazer, além de esperar. Tudo bem, três horas, quarenta e nove minutos, trinta e cinco, trinta e seis, trinta e sete... segundos na marginal, completamente parada, não significa nada. Rolou até uma chuvinha pra dar uma esfriadinha nos ânimos, que mais eu podia esperar... uma bala perdida!? Só tenho a agradecer, INCRÍVEL, OBRIGADO MEU ANJO DA GUARDA!
Sem querer, eu estava fazendo, gratuitamente, um vestibular para monge tibetano. ESPETÁCULO! Aguentar tudo isso sem surtar é coisa para profissional, Eu estava me transformando em um.Tinha certeza que depois dessa gincana de horrores, me transformaria em um ser melhor, mais compreensivo, mais empático, gentil, praticamente um santo. Pergunto: MELHOR PRA QUE? PORRA!!! Juro que queria continuar pior e não ter que aguentar esse nabo todo, que agora, além de tudo, crescia com a minha fome e o meu sono, chega!!!. VAI TOMAR NO MEIO DO CÚ. CARALHO!!! Quero que se foda o mundo, os carros, a cidade, os ladrões de toca fita (toca fita nada, MP3 player e com entrada USB). Quero que o meu chefe vá a merda, quero que a minha família fique surda e muda. Eu quero paz, chega!!
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O sol estava raiando quando a marginal resolveu dar sinal de vida. Até que enfim, a porra da ponte estava arrumada. Já não queria saber do rádio no carro do meu ‘amigo’, de comunicar a minha família, da fome, da grana, da chave do tanque, do celular, da Miriam, do chefe, de mais nada. Estava apenas contemplando os primeiros momentos da semana, sem resistir ou criticar os eventos que me foram reservados, ouvi este conselho de alguém em algum lugar.... Que bela segunda-feira, que bela manhã, que belo sol iluminando todo aquele cocô, boiando suave e harmoniosamente com os pneus e o mix de dejetos que dão aquela textura e cor inconfundíveis ao rio tiête, que aroma inenarrável no ar, que espuma branquinha, que melodia exótica das máquinas ao redor, que sensação bucólica. Não havia quase nada incomodando o meu ser naquele momento, só uma dúvida, uma singela e inocente dúvida que surgiu de repente, enquanto apreciava o rio, que corta a nossa cidade tão habitada. Uma simples, pequena e ingênua (quase infântil) dúvida: Cocô é palavrão?
Não sabe nada, um anjo sem lar ta na roubada, foi largado na rua, apimentaram sua boca, zoaram o seu chinelo, fizeram ele chorar
Calçada é dura, tempo faz acostumar Já foi bonito só que socaram sua cara, arrancaram todos os dentes, lhe deram um lindo presente, fizeram um belo colar
Nunca teve azas, seu dono mandou cortar Sem aza e sem casa, esse anjo endiaba, bagunça a calçada e não pede mais nada, quando a barriga ronca, quando a cabeça ronca, quando a alma ronca E o coração ronca
Pega o Exu, atrás do Belzebu, não deixa ele escapar Tomem muito cuidado que esse moleque é danado vai querer se vingar
Pega o Exu, atrás do Belzebu, não deixa ele escapar Tomem muito cuidado que esse moleque é danado Vive pedindo trocado e eu sei que tem um bocado, um bocado do nosso pecado E remorso pra nos criar
Esta é a letra de uma música do album VENHA COM SAPATOS CONFORTÁVEIS, em fase de pré-produção. Este Blog esta virando um DISCO e um SHOW. O audio aqui
Qual é o seu desejo, meu desejo? Me conta logo, pelo amor que tem no que acredita, se é que acredita. A onde vai dar tudo isso? Toda essa imaterialidade de expectativas que acertam o coração do meu coração. É muita flecha para uma alma, que já nem sabe se acredita em alma. Mas sente, meu Deus! Como sente. Para que serve todo esse dom, se não consigo viver dele? Responde meu Desejo! Será que o dom foi feito para isso? Ou será meu dom, de uma categoria que não se vive, apenas deseja. Uma espécie de maldição disfarçada de talento, que rouba das outras coisas que tento fazer, todo o capricho e toda a vontade. A onde vai dar tudo isso? Você quer que eu enlouqueça? Ou esta é sua forma de me curar? Me conta logo, pelo amor que tem, e pelo mesmo amor, me ajuda a acreditar. Qual é o seu desejo, meu Desejo?
Mãe dos sonhos menina de colo Te roubo um beijo, me vejo no espelho, espelho, seus olhos Te quero, promessa, futuro, distante Distancia é saudade
Mãe dos sonhos seu riso e sua lágrima Ensinam seu tempo, abrem seu jogo, me contam sua mágica É mulher criança, brincando com fogo Sem medo, sem se queimar
Se a chama apaga, acende de novo, que vira fogueira Se a mágica acaba, não liga é só mágica, temos a vida inteira Se chora é passado, seu brilho é mais forte, força verdadeira Se canta é sorriso, um sorriso sem mágoa
Mãe dos sonhos não me deixe ir embora Sem que o tempo, avise a hora Sem saber, se é certo ou não Querer roubar, em vez de um beijo, o seu coração
Esta é a letra de uma música que fará parte do album VENHA COM SAPATOS CONFORTÁVEIS, em fase de pré-produção. Este Blog vai se transformar em DISCO e SHOW. Em breve, o audio aqui.
Se o seu coração ta doendo, seja o motivo que for deixa que o tempo te cure meu bem, não pule dai por favor
É só você ter paciência, calmantes, ou um bom doutor saudade é coisa da vida também, não faça isso ai por favor
Não tente curar suas feridas, causando em você mais dor Enfrente os momentos da vida, não tome isso ai por favor
Esqueça quem não te merece, se foi era falta de amor Esqueça quem sempre te esquece e não merece todo esse rancor
Baby don’t go, baby don’t go (bis)
Esta é a letra de uma música que fará parte do album VENHA COM SAPATOS CONFORTÁVEIS, em fase de pré-produção. Este Blog vai se transformar em DISCO e SHOW. Em breve, o audio aqui.
Acorda, levanta pro mundo, vai se vestir de coragem Esquece de tudo, que te deixou na saudade Levanta essa bola, vê se descola Reinventa a cidade do jeito que dá
Caminha e carrega contigo, a sua felicidade Não importa o tamanho, o que importa é vontade Se mexa e balance, seu corpo ta vivo Não importa onde está
Seja feliz agora Aqui, ali, do Oiapoque a Paris, Berlim, Madri, Bali Em Gothan City ou no Ceará
Seja feliz agora Em São Paulo ou no Rio, em Tókio ou chuí, Salvador Chernobyl Em Nova York ou no Pais de Alah
Esta é a letra de uma música que fará parte do album VENHA COM SAPATOS CONFORTÁVEIS, em fase de pré-produção. Este Blog vai se transformar em DISCO e SHOW. Em breve, o audio aqui.
Acabou a festa, se é que ela aconteceu algum dia. Não sei, pensei que estava na festa, acho que era festa, ou a vida, acontecendo de uma forma que não soube interpretar, senão como festa. Coisa de maluco.
Falo que acabou a festa, porque estou sentindo aquele vazio, típico de quem não quer que a festa acabe, mas os convidados começam a ir embora, enquanto você fica. Você, a sua bagunça e a bagunça alheia, os copos vazios, alguns quebrados, os móveis desarrumados, o chão molhado, as marcas de sapatos, os objetos perdidos e o cheiro de azedo.
Vida, assim eu te vejo Louca, quando é madrugada Triste, quando é fim de festa Longa, se não vale nada
Vida, assim eu te canto Gosto, dos versos mais curtos Posso, saber seus segredos Para não fazer frase errada
Eu sei, você não sabe O que falam por ai Me conta seus secredos Pois só assim vou te entender
Sabe, tudo Eu quero mudar, o mundo
Sabe, assim meus desejos Tudo, não vão mudar nada Muda, não mudou pra vocês? Mundo...
Eu sei, você não sabe O que falam por ai Me conta seus secredos Pois só assim vou te entender
Sabe tudo, muda tudo, vira mundo cabeçudo Cabe tudo, gira tudo, vira mundo cabeludo (bis)
Esta é a letra de uma música que fará parte do album VENHA COM SAPATOS CONFORTÁVEIS, em fase de pré-produção. Este Blog vai se transformar em DISCO e SHOW. Em breve, o audio aqui.
Tô a toa, to de qualquer jeito Empurrado pelo vento, dentro um nó no peito Tento, canto, qualquer tento Sento pois sinto que demorará Penso cinza e peço a Deus Por amor, vem me salvar
Corro, grito, rezo e morro, falo um palavrão Cavo um buraco novo, que vai parar lá no Japão Grito seu nome, rasgo minha roupa e solto meus cachorros E peço tudo de novo
Pois só quero da vida algo que de paz no meu coração Alguma coisa que transforme a sarjeta em bichinho de estimação Algo que tire da minha cabeça, que para sempre ela esqueça O que não tem mais solução Peço que a noite eu adormeça, um lindo sonho aconteça: Uma criança chupando o dedão
Esta é a letra de uma música que fará parte do album VENHA COM SAPATOS CONFORTÁVEIS, em fase de pré-produção. Este Blog vai se transformar em DISCO e SHOW. Em breve, o audio aqui.
A cidade acende, movimentos para todos os lados. Cores, formas, sons e odores que disfarçam o choro e as lágrimas que escorrem nas canaletas da avenida. Transforma seus filhos, esparrama desejos. Movimentos que celebram mais um dia que se foi.
Viva a Deusa noite, que começa a nos seduzir mostrando sua coxa por trás da cortina, avisando que o show vai começar (Teremos muita ação em cada esquina da metrópole despudorada), viva o brinde que começa a acontecer fácil, em todo lugar, a todo o momento, reafirmando que vale a pena continuar vivo (mesmo que seja por esse único motivo). Viva os sonhos embriagados, viva os exageros, autorizados ou não, pelo estabelecido, viva o delírio, viva a lucidez, viva até quem não brinda, viva até quem não vive.
Hoje será mais uma noite "perfeita", temos tudo que precisamos. Há monóxido de carbono para todos, há crédito (para alguns), as verdadeiras drogas, que viciam "gratuitamente" tudo que respira e sonha na cidade que acende.O velcro vai colar, ninguém pode impedir a cidade de mostrar suas luzes a Deusa noite. Há muitos sorrisos no ar, e essas damas prometem, mesmo que seja uma grande mentira, elas sempre prometem. E nós acreditamos.
Temos muitas horas, não estamos sozinhos, a nossa consciência ainda não pesa e sabemos que todos, de certa forma, vão ter que rachar a conta no final.
É a lei da cidade que acende, esse enorme boteco de luxo e de lixo, feito de sonhos e pesadelos disfarçados de concreto e luz, que adora imitar a vida.
É só mais um adeus nosso enfim despedir talvez vazio e fatal
O que deixaste encruou O que levaste é teu ficou o oco do não
sobrou o seco do fim Que doeu mais em mim marcou meu coração
Desprezo que me levou A pensar mal de ti com esta pena na mão
Confesso que jamáis pensei tão cruel assim, nosso fim
Confesso, não acreditei, em você nem em mim
Esta é a letra de uma música nova, parceria minha com CAIO ANDRADE (letra e música), que fará parte do album VENHA COM SAPATOS CONFORTÁVEIS, em fase de pré-produção. Este Blog vai se transformar em DISCO e SHOW. Em breve, o audio.
Voa cabeça, vai pro espaço, triplique, quadruplique a velocidade da luz, vá e depois volte para o passado, no mesmo momento em que o 'agora' acontece. Reinvente o passado, acabe com o seu charme, deixe-o mais triste, tire a sua cor, acabe com tudo, transforme-o em um passado-passa, ressecado, um maracujá de gaveta, esmague-o, transforme em pó, um subnitrato de pó de bosta, uma nano partícula, desintegre-o.
Dizem que o passado é inútil, que já foi, que não existe mais, que é apenas imagem arquivada, ocupando espaço, sem certificado de qualidade, que se mexe e se alimenta de dor, de esperança. Uma coisa que habita a cabeça, imprecisa e que disputa o foco com o presente, atrapalhando, confundindo. Feliz aquele que controla o passado, ou, feliz aquele que destrói o passado. Será?
Voa cabeça, vai pra puta que pariu, quintuplique, sextuplique a velocidade da luz, vá e depois volte para o mesmo passado que você destruiu, exatamente neste momento. Reinvente o passado, deixe-o alegre, super colorido, lindão. Reconstrua os finais, plante sorrisos, transforme-o num passado fruta madura no pé, cheiroso, uma maçã vermelhinha brilhante e sem agrotóxico, orgânica, uma benção, uma vida, reintegre-o.
Dizem que o passado é útil, pois nos ajuda a melhorar, a não repetir os erros. Que é uma imagem que habita a nossa cabeça e serve como um arquivo de referências para formar o 'quem somos', além de outras viagens. Ele pode ajudar o presente, auxiliando no caminho. Feliz aquele que controla o passado, ou, feliz aquele que constrói o passado. Será?
Voa cabeça, vai...volte...reinvente. Afinal de contas, você pode. Quanto ao passado, tomara que tenha valido a pena. Será?
Amigos do peito, desconhecidos curiosos, pessoas que tem coragem, malucos de plantão e covardes de toda espécie, eu tenho um recado sobre a vida, que vem diretamente das profundezas da minha cabeça para vocês, não se trata de novidade alguma, mas quero ser mais um a discorrer sobre o assunto, por puro capricho ou indignação. É o seguinte: Na realidade, ninguém sabe nada sobre coisa alguma relacionada ao que somos, de onde viemos e pra onde vamos. E foda-se se estou usando um clichê, é isso, já ta falado. Neguinho pode aparecer com questões espirituais, físicas, metafísicas e o caralho a quatro para justificar o ser humano, a vida, o sofrimento, as injustiças, as verdades absolutas, etc. O fato é, ninguém prova porra nenhuma! Por mais que falem. Não provam e ponto. Todas as explicações são sempre superficiais, com duplas, triplas, quádruplas interpretações, preconceituosas, algumas até bem disfarçadas, bonitinhas, mas nunca 100%. Por exemplo: A terra pode ser uma nano partícula de algum organismo que neste exato momento pode estar com as mesmas dúvidas que nós temos, que também pode ser outra nano partícula... E assim vai. Ou, Isto pode ser uma dimensão X que ao mesmo tempo comporta a dimensão Y em outra vibração, ou velocidade, ou seja lá o que for, que vai existindo independente da outra, no mesmo espaço tempo, que vai acumulando mundos infinitos. Ou (mais viajante ainda), podemos ser ecos de um pensamento, pensando existir de fato, enquanto a nossa verdadeira existência não se lembra que existimos pois somos os seus sonhos esquecidos, ou visse e versa. Ou (dá-lhe clássico) Podemos ser realmente a imagem e semelhança de Deus nosso criador aprendendo a merecer o caminho do paraíso, ou penando por pecados cometidos em outras existências que não lembramos por gratidão divina, ou ovelhas que foram salvas pelo sofrimento do filho do criador, ou a colônia de algum planeta que se alimenta do nosso sofrimento, da nossa dúvida, ou o que a imaginação permitir, inclusive uma (ou várias) possibilidade científica, um acidente que foi evoluindo até o que somos, que vai se adaptando muito, muito lentamente mesmo, as condições que vão se estabelecendo. Não dá pra saber. É tanta estória que vamos ouvindo, tantas crenças que vão tentando plantar e plantam em nossas cabeças, que vamos nos perdendo. Somos perdidos, é isso.
Desde a nossa inauguração aqui na terra é um blá, blá, blá doido, que destempera a mente, que desafia a razão, a emoção e tudo o mais. Tenho dificuldade em confiar, ao mesmo tempo em que o meu maior desejo seria realmente confiar, acreditar. Desde a minha primeira memória, lá pelos Dois anos de idade, vejo injustiças por todos os lados, cometidas por todos nós. Muitas vezes sem querer, por ignorância, por pura maldade, ou por motivos de força maior e isso vai minando, pelo menos a minha, fé. Deixando riscos, marcas, cicatrizes na alma, que vão alterando o formato, alargando, distorcendo e rasgando o meu saco. Não agüento mais! É gente passando fome, necessidade, sofrendo por amor, saudade, vontade, falta de recursos e toda uma sorte de situações de dor que atingem a todos de alguma forma. A impressão que tenho é que alguns sofrem menos, e outros mais, e o motivo aparente nunca é justo, parece que a coisa foi feita para ser assim. Isto me revolta. Me falam para não revoltar, que não resolve nada, que isso, que aquilo, más não me revoltar é pior, me faz sentir um covarde, um inútil , um falso, que aceita o que não concorda. Más estou tentando ouvir as vozes que me falam pra puxar o freio, e de certa forma aprendendo a transformar essa revolta em algo útil, em um não concordar mais didático, falado devagarzinho, pensado, político, com jogo de cintura, cheio de dedos, para não ofender. Quem sabe, seu eu continuar assim aprendendo a ser 'bonzinho', os Anjos, os Santos, os Espíritos, os Orixás, os Deuses, Jesus ou até mesmo Deus o nosso criador podem dar uma luz.
Não quero dizer que não percebo os prazeres, as emoções maravilhosas e os presentes que a vida e a natureza nos permitem. Não quero dizer que não há paz. Ela existe, mas o problema é a equação da paz com a dor. Sinceramente, isso me deixa muito louco, eu não sei fazer essa conta, a maioria das pessoas que conheço, não sabe fazer (além de não se darem conta). Alguns pensam que sabem, más não sabem. Parece que apenas alguns privilegiados tem esse dom, ou essa sorte, ou essa pré-destinação de conseguir desenvolver e resolver essa complexa equação chamada viver bem. Eu digo RESOLVER MESMO, com prova real e tudo. Essa incógnita me deixa doente, mexe com a minha fé (de novo), dá vontade de parar com tudo. É muita paulada, e olha que não me considero o último da fila, muito pelo contrário. Não há pra onde correr, às vezes penso que o suicídio seria uma boa colher para cavar esse túnel rumo à liberdade, mas teria que ser diferente, um suicídio geral. Já pensou!!! Seria no mínimo curioso convencer todos os seres vivos do planeta a cometerem suicídio ao mesmo tempo, com o intuito de entupir o céu de almas reclamando explicações, só pra ver o que acontece, imagina a loucura!?! Será que explicariam? Bobeira! Daria muito trabalho, nem a mesma língua falamos, nem a mesma crença temos. Esquece!!! Seria impossível. Tirando que dizem que o suicídio promove castigos pra lá de sofisticados, mexe com o desconhecido, que leva ao inferno, pro limbo, vai saber!?! Ou poderíamos descobrir também uma grande pegadinha, a gente se mata e de repente: “Surpresa!!! Você esta na pegadinha do Pedrão...” ou simplesmente não ser bosta nenhuma, um vácuo, tudo preto, ou tudo branco, ou um monte de coisas. Em resumo, que bela prisão de nós mesmos vivemos, que grande internato é essa tal de vida, que paredes enormes, principalmente nos momentos difíceis. Ainda bem que momentos difíceis não são eternos apesar de demorarem pacas.
Não sou negativo, só estou questionando o fato de sermos pessoas perdidas, a dor que esse desencontro provoca e o porquê de sermos perdidos, cada um no seu grau. Sou um feliz questionador revoltado e curioso que já leu, assistiu, ouviu um monte de ‘coisas’ de auto-ajuda, de religião, da ciência. Que já foi em médico, em psicólogo, centro espírita, pai de santo, centros de filosofia. Que já fez a brincadeira do copo, simpatias, que reza e vive perseguindo a paz e os esclarecimentos da vida, feito criança enchendo o saco do pai, e NADA. Absolutamente nada. Todas as respostas que tive foram paliativos com prazos cada vez mais curtos. Isso cansa pra caralho, é uma eterna busca atrás de uma cenoura gigante que se afasta na velocidade da minha vontade. Palavra de alguém que tem fé, mesmo não conseguindo acreditar efetivamente em nenhuma das explicações que teve, que vive confuso e só queria entender o universo, só isso.
É bela a vida, que você faz questão de desfazer É bela a vida, você chora sem saber porque Outra saída, eu não vejo mais Viver a vida, a nossa chance de paz
Um belo dia um anjo me contou toda a nossa história (eu não acreditei) Enquanto falsos anjos choravam e cantavam a nossa história mais uma vez
Então vai, pra longe de mim Eu sei não dá mais
Então vai, pra longe de mim Até nunca mais
Pois eu sei, eu sei acabou olha só o que o tempo faz
Me sinto só a maioria das vezes e muito só, quase sempre, me sinto sendo absorvido para dentro da caixa que chamo de 'Eu'. Um universo particular com as mais variadas temperaturas, que apesar de estar em mim, foge ao meu controle. Lá, todos os demônios e anjos: meus, emprestados, roubados ou cortesia da casa, estão soltos.
Histórias daquela época - A Peneira no São Paulo F. C.
-Chiquinho, que posição eu falo que jogo?
-Fala que você joga no centro, na defesa.
-Beleza e onde eu tenho que ficar dentro do campo?
-Fica atrás, perto do goleiro, você fica lá e não deixa ninguém do time adversário passar, quando os caras vierem com a bola, você vai com tudo e trava a jogada, você é corpudo, toma a bola e depois passa pra alguém do seu time que estiver na frente.
-Beleza chico.
De repente aparece um cara com agasalho do São Paulo.
-Quem nasceu em 71 me acompanhe!
Segui o homem, eu e mais um amigo, o Marquinhos, que naquela época também atendia por Quácula, deixando meu irmão e o resto da turma na entrada, todos estavam eufóricos com a chance de participar do teste que poderia mudar nossas vidas, um nervosismo geral. Imagina, ter a grande chance de 'virar' jogador profissional do São Paulo futebol Clube tão cedo, não importava se éramos Santistas, Palmeirenses, Corintianos, naquela hora éramos todos Pó de Arroz com muito orgulho, candidatos a um futuro de fama, grana e muita glória, inclusive eu.
Entramos no vestiário, onde o homem começou a distribuir as camisas, a coisa era bem objetiva, ele olhava pra nossa cara, fazia umas perguntas, dava a camisa e rapidamente ia montando os times conforme a resposta de cada 'atleta' mirim, faríamos um RACHÃO com duração de 10 minutos de cada lado do campo ou o tempo que fosse necessário para eles avaliarem o nosso talento. Eu fui um dos primeiros, tinha um bom porte e respondi com segurança as suas perguntas, peguei minha camisa e fui logo sendo convocado à me trocar para participar do primeiro jogo, eu e o Quácula, que era goleiro dos bons. Colocamos as nossas chuteiras e ficamos esperando o chamado para a batalha, a partir daquele momento éramos uma equipe, competindo com o time adversário e entre nós, uma tensão e uma emoção total, nosso time tinha que ganhar e o nosso futuro estava em jogo.
Entrei naquele campo enorme com o chão de terra batida e fui pra perto do Quácula, enquanto todo mundo ficava batendo aquela bolinha antes da partida começar, fazendo aquela pressão, mostrando uma pontinha do seu talento. Chutes a gol, embaixadas, passes, parecia um circo onde os artistas iam mostrando seus números antes do show começar e eu, correndo para lá e pra cá, parecendo o bobo do bobinho, nervoso, sem pegar na bola, mas de certa forma me aquecendo. O Quácula apesar do nervosismo dava risada, olhei para a arquibancada e vi que todos os candidatos a WALDIR PERES, ZÉ SÉRGIO e SERGINHO CHULAPA estavam lá para assistir a primeira partida daquela peneira, vi meu irmão e a turma toda que também dava risada.
O juiz apita o inicio da partida - o nosso time começou - o capitão passa a bola para um cara, que passa para outro, que de repente da um passe longo para trás... Filho da puta! A coisa ficou em câmera lenta na minha percepção, aquela bola alta vindo na minha direção, uma parábola do inferno. Não! não era a hora ainda para eu aparecer no jogo, estava tudo muito no começo e eu ainda não me sentia confortável com os meus 'dons' de 'jogador', pensei que conseguiria levar a partida numa boa e só apareceria quando o time adversário atacasse, onde eu 'quebraria' o primeiro que tentasse passar, sempre salvando o meu time antes do goleiro, meu amigo do peito, correr riscos... Não! não podia ser verdade, o que fazer? Não sabia se matava a bola no peito, acalmava com o joelho e chutava para a frente ou se recebia com o pé, parava, olhava para os lados e depois dava um passe para o meu companheiro da direita, não sabia nem se era capaz de acertar o chute, imaginei o ridículo de chutar o ar enquanto a bola quicava o chão, imaginei a arquibancada indo abaixo de tanto rir da minha cara, imaginei um monte de tragédias pra lá de gregas... em uma fração de segundos, dezenas de possibilidades e todas ruins para o meu lado, mas nada comparado ao que aconteceu.
Eu não errei a bola quando ela aterrisou na minha chuteira, acertei o chute, quer dizer... mais ou menos. Se tivesse acertado 'na veia', a bola teria ido direto para a área do time adversário, tamanha a força e a vontade que coloquei no chute, seria fantástico, um começo triunfante, mas não foi o que aconteceu, eu acertei o chute na bola... mas com o dedinho minguinho do pé. Foi impressionante a cena... parecia que eu estava dando um golpe, tipo capoeira, chutei, a bola bateu no meu dedinho, ela desacelerou e começou uma nova parábola mantendo o sentido original, só que na direção exata do ângulo do nosso gol, o Quácula até que tentou, fez uma ponte belíssima, coisa de profissional, mas não teve jeito. Fiz o meu PRIMEIRO e ÚLTIMO gol no São Paulo Futebol Clube.
Posso garantir que fiquei MUITO FAMOSO naquele dia.
Dorme meu filho, saia desse sonho para entrar em outro. Aproveite a melhor fase da sua vida. Papai esta aqui, sonhando com você, só que dentro de outro sonho, sentado na janelinha, de onde pode te ver dormindo, em paz e lindo, como sempre.
Não tenho certeza de nada. Nada do que me contam, nada do que me conto, nada do que vejo, nada do que toco, nada do que sinto e nada do que penso. Só sei que dói, só sei que é bom e só sei que acaba.
Os Santos. Gente muito boa. Todos, de certa forma, felizes. A trilha sonora é a televisão ligada e o som do rádio mal sintonizado. Marilú, a filhota, esta radiante, acaba de decorar a nova coreografia do "RBD". O filho do meio também, conseguiu finalizar a letra do seu mais novo RAP, uma rima complicada, "canhão, trezoitão, ladrão, irmão, arrastão", uma epopéia.
A Mãe, D. Leidi Laura dos Santos está impaciente, não consegue dar conta da receita que aprendeu no programa da Ana Maria Braga, provavelmente por conta de alguma anotação errada, mas vai acabar falando com a Terezinha, sua vizinha e resolver o problema, como sempre. Ganhou no bingo, o dinheiro para comprar os ingredientes. Não é sempre que tem a oportunidade de fazer uma receita tão chique, deu pra comprar tudo, não teve nem que trocar o tal do funghi secchi por bacon, santo bingo.
Seu Adão, ‘O chefe’, não vê a hora de começar o jogo na TV, final do Brasileirão com o seu timão, campeão com certeza. A caixa de cerveja, pendurada no bar do ZITO, morando na geladeira desde às 8 da manhã, seria justificada no final da tarde. Pena que Sócratis, seu filho mais velho, esta de serviço, é vigia em um condomínio de luxo... Tudo bem, o timão vencendo, está tudo certo.
Os Sanches, gente boa. Cada um com a sua graça, todos, de certa forma, BEM. A trilha sonora varia conforme o quarto. Paty (Britney Spears no iPod), aliviada, passou de ano, está de férias. Acabou a preocupação com as provas, os trabalhos em grupo e as lições de casa, agora, apenas os horários da natação, as aulas de Spining e o curso de espanhol (seu professor particular de inglês está em OHIO desde outubro fazendo MBA). Experimenta a roupa que usará no clube, quer muito que Cíntia e Ana conheçam seu novo conjuntinho da AMP, presente de natal antecipado da sua madrinha Sophia que mora lá em Alphaville. Marcelo, seu ficante do mês talvez perceba, Paulo com certeza perceberá.
Alexandre, como sempre, roncando. Quarto fechado, rock no computador, volume no dois, TV ligada, telefone fora do gancho e alma em outro mundo. Antes das três, esquece. Chegou tarde. É fã de CPM22, D2, Dj 1, busca a alquimia dos estilos desses sons em sua nova banda, o TOD4. Tudo está sempre numa boa, só não pode ser acordado "de madrugada", vira uma fera, adora comer macarrão com molho a bolonheza e Coca-Cola no café da manhã, principalmente no domingo.
D. Mazé, uma mulher na moda, botox, muitas bolsas, sapatos, lingeries, cremes, xampus, prestação no cartão de crédito, cheques pré-datados, carro semi novo do consórcio e aula de funk e pilates na academia. Pensa na desculpa que vai usar para explicar o help que pedirá ao MARIDÃO - estourou no cheque especial - alguma ‘coisa’ com renda talvez ajude (ou não!?!).
Seu Carlo, placa de gerente do ano na estante, livro do Lair Ribeiro na pasta e pulseira do equilíbrio no pulso, usa uma colônia comprada no free shopping (nome complicado), bermuda da Lacoste e chinelo da Side Walking. Prepara o discurso com as recomendações, orientações e declarações de amor paterno que fará à filha quando levá-la ao clube, aproveita e já pensa nas perguntas que fará quando for buscá-la, escuta CBN, assina Você S/A.
Família Lorca, gente elegante. Todos estão viajando, até os cachorros foram para um hotel especializado em Higienópolis, uma colega da Dra. Elke recomendou.
Passaportes, milhagens, condomínio fechado, quadras, piscinas, quartos, salas, pé direito alto, muitas obras de arte, jardim de inverno e alguns empregados. O vigia, da empresa Q-PROTEJ, passa por lá a cada 20 minutos. Tudo em ordem. Trilha sonora: pássaros, brisa e o narrador do jogo pelo rádio.
Foram para Suíça a uma semana, menos Dr. Pedro, que só embarcou no vôo de ontem à noite, tinha homenagens e prêmios aos melhores executivos da companhia, era uma tradição a entrega das placas em mãos pelo presidente, coisas de final de ano.
(*) texto escrito em uma tarde de 2007, na correria de um dia de trabalho 'normal'.
Sei dos vários defeitos que possuo, pelo menos os que percebo, os que me contam e os que as paredes revelam. Tento eliminar todos. Alguns, eu consigo. Outros, são mais fortes do que eu. Outros ainda, o tempo resolve. Mas são defeitos que já ouvi falar.
Tenho defeito que nem é defeito, dependendo do contexto e do ponto de vista, é qualidade. Mas tenho muito medo daqueles defeitos que não consigo perceber e ninguém me conta, nem as paredes. Estes sim, podem me derrubar.
É engraçado isso, poder passar uma existência e não ser apresentado ao seu maior inimigo, mesmo morando na mesma casa. Coisas da vida.
Tá tudo bem, tá sossegado, tô na boa tô de bem com a patroa, eu não quero mais brigar Mas de repente, não tem jeito, muda o vento ela estressa e fecha o tempo, o carro vai descarrilhar
Ela me pede “da um tempo, vai embora da licença, rapa fora a gente nunca vai se dar” depois me liga “feito amiga”, toda Zen diz “como vai, ta tudo bem?” mas não me pede pra voltar
Eu fico louco, Juqueri, Franco da Rocha esse namoro acende a tocha que não sabe apagar eu grito e xingo, fico puto, ela chora eu me arrependo e jogo fora esse fantasma que apavora agente pode se acertar?
Ela vai voltar! Quando a poeira abaixar Aqueles olhos de anjo a minha cara de bobo Começar tudo de novo Onde é que vai parar? Mas ela vai voltar
Esta estória foi criada originalmente em preto e branco, no formato 'LIVRINHO DE COLORIR', para ser distribuido no primeiro aniversário do meu filho Pedro.
Era uma vez um menino chamado Pedrinho, ele pertencia a uma família muito feliz que morava em uma vila de uma cidade do interior, onde as casas tinham grandes quintais, com muitas árvores e flores, nenhum prédio e a vida passava com muita calma e harmonia.
Pedrinho brincava todo dia no quintal da sua casa, com seus brinquedos feitos por seu pai, todos de madeira, pano, palha, barbante e o que mais sobrasse da sua marcenaria. Eram carrinhos, bonecos, bolas, piões e uma infinidade de outros brinquedos artesanais construídos com a melhor matéria-prima que existe, o amor de um pai pelo seu filho. Pedrinho adorava a sua coleção e todo dia brincava orgulhoso no seu mundo encantado, com seus brinquedos mais encantadores ainda.
Um belo dia bem no meio de uma de suas aventuras fantásticas, onde lutava sozinho com sua espada de madeira contra um exército com mais de mil guerreiros, ouviu e viu de longe o barulho de um caminhão que se aproximava com um alto-falante, anunciando alguma coisa que ele não conseguia entender direito por causa da distância, chamou imediatamente a sua mãe que estava na cozinha preparando geléia de goiaba, seu doce preferido, e perguntou se ela sabia de alguma coisa.
Mãe, mamãe!?! O que é aquele caminhão? O que ele está dizendo? O que está escrito naquela placa em cima do caminhão? Você sabe mamãe? você sabe? sabe?
- Calma filho, vamos tentar entender o que o moço está falando, vamos fazer silêncio... está muito longe ainda, deixa eu colocar os meus óculos para ver se consigo ler a placa... hummmm... o som está melhorando, escuta... está entendendo? "CIR-CO..." O caminhão está chegando mais perto, estou conseguindo ler, O GRANDE CIRCO DO CILICO, é isso mesmo, O GRANDE CIRCO DO CILICO CHEGOU.
- Circo mamãe? Um circo de verdade?
Isso meu filho, com palhaço, mágico, trapezista, equilibrista e mais um montão de brincadeiras. O seu pai havia me contado ontem que um circo chegaria à nossa cidade nesta semana e pelo que parece, o dia é hoje. Eu e seu pai queríamos fazer uma surpresa para você, mas com o caminhão do circo passando pela cidade fazendo propaganda, fica impossível guardar segredo, então é isso, nós vamos ao circo no domingo.
- OBA! Eu vou ao circo no domingo. Faltam quantos dias para o domingo chegar mamãe?
- Você sabe os dias da semana não sabe?
- Sei.
- E também já sabe contar, correto?
- Correto.
-Então, se hoje é quarta-feira, basta fazer as contas, depois da quarta-feira vem qual dia?
- Hummm, deixa eu pensar os dias da semana: segunda, terça, QUARTA, quinta... é isso! QUINTA-FEIRA! Depois de quarta-feira vem quinta feira.
- Exatamente meu filho, quinta-feira é igual a 1 dia, depois vem?
- SEXTA!
- Certo, igual a 2 dias, depois?
- SÁBADO!
- Igual a?
3 dias mamãe! 3 dias e depois o DO-MIN-GO, que é o dia que vamos ao circo, não vejo a hora mamãe! não vejo a hora.
Dona Sandra deu risada e voltou a cozinha para terminar de preparar o doce que o seu pequeno tanto gostava. Ele continuou no quintal, brincando com a sua espada de madeira que logo trocou por um graveto, que começou a usar como se fosse uma varinha mágica para a sua nova brincadeira de mágico, inspirada na grande novidade do circo. Pedrinho estava que não se aguentava, nunca um domingo foi tão esperado.
No dia seguinte, logo depois do super café da manhã que dona Sandra havia preparado com várias frutas, pães, bolos, geléias, sucos e leite, Pedrinho chamou os seus melhores amiguinhos da vila: Breno, Raul, Luiza, Mariana, Gabriela e Sofia para brincarem de circo no quintal da sua casa. Todos eles também estavam anciosos com a chegada do Domingo.
Cada criança usou o seu talento especial para ajudar na criação das brincadeiras do circo. Breno e Raul que eram ótimos com as suas bikes, prepararam manobras radicais, Luiza que tinha a voz muito bonita, assumiu o papel de apresentadora das atrações, Mariana que dançava muito bem, criou as suas próprias coreografias, enquanto Gabi e Sofia queriam andar de bicicleta, apresentar, dançar e o que fosse possível dentro do circo dos sonhos que eles inventaram. Pedrinho continuava sendo o mágico, que na velocidade de um pensamento, realizava os maiores truques já sonhados por toda a turma. Era só apontar a sua varinha mágica para qualquer coisa, falar as palavras secretas, imaginar o truque que deveria acontecer e pronto, ele acontecia. Puro sonho que só a imaginação de uma criança pode realizar. Todos estavam encantados com a nova brincadeira.
Foi assim por toda a manhã, com as crianças revezando as atividades do circo e preparando um número mais divertido que o outro a cada momento, depois do almoço a brincadeira se estendeu por toda a tarde e... se não fosse pelo cheiro delicioso da comida preparada para o jantar feita por Dona Sandra, seria por toda a noite também, mas o estômago falou mais alto naquele momento. Foi divertido assistir às crianças, que estavam exaustas e famintas, se deliciarem com a salada de tomates vermelhinhos e alfaces verdinhas, fresquinhos da horta de Dona Sandra, seguidos do arroz preparado com cenoura, lentilha e o famoso filé de frango com ervas, que dava água na boca de toda a vizinhança, que sentia o cheiro de longe toda vez que era preparado, um sucesso.
Na SEXTA-FEIRA foi a mesma coisa, só que com direito a brincadeiras novas, maquiagem de palhaço, malabarismos com bolinhas, acrobacias e mais um monte de novos amiguinhos da vila que começaram a fazer parte da platéia e também dos novos artistas do circo da turma. O quintal ficou cheio de crianças cantando, dançando, andando de bicicleta, virando cambalhota, aprendendo a fazer maquiagem de palhaço, bonequinhos de papel, brincadeiras de roda...uma verdadeira festa para celebrar a chegada do circo à cidade.
No SÁBADO, a brincadeira continuou a todo o vapor, agora com pipoca, maçã do amor e muitos outros quitutes que as mães das outras crianças levaram a pedido dos seus filhos. O circo da turma, mais uma vez, durou o dia todo e uma boa parte da noite também. As crianças, de tão anciosas, não conseguiram ir para a cama cedo, mas aos poucos a coisa foi acalmando, elas foram relaxando, os seus pais foram relaxando, cada um voltando para a sua casa, até que o silêncio tomou conta de toda a vila, que começou a sonhar feliz naquela noite de sono tranquilo, que logo, logo daria lugar ao tão esperado DOMINGO.
Pedrinho acordou cedo e foi correndo para o quarto dos seus pais. Seu Adriano, pai de Pedrinho e Dona Sandra, dormiam tranquilos, quando Pedrinho puxou com força, toda a coberta para fora da cama.
Seu Adriano deu um grito de susto e Dona Sandra, que acordou com o grito do marido, teve uma crise de risos por causa da forma que ele se assustou, Pedrinho, na ponta da cama, também começou a dar risada. Seu Adriano não conseguiu entender nada por um bom tempo.
-O que é isso! O que esta acontecendo? Socorro!
-Calma meu amor, é só o Pedrinho querendo chamar a nossa atenção.
-Pedro! Isso é jeito de acordar o seu Pai, eu estou velho para essas coisas. Que horas são?
-Eu não sei papai, mas não consigo dormir mais na minha cama e gostaria de ficar aqui com vocês, Posso?
-Vem cá seu sapeca, você me assustou de verdade, mas tudo bem, só não vamos mais ao circo hoje.
-O que? O senhor não vai me levar mais ao circo?
-Não.
Pedrinho ameaçou chorar.
-Calma meu filho, é só brincadeira, hoje estaremos lá às 2 da tarde em ponto. Olha aqui os ingressos.
Pedrinho abriu aquele sorriso e abraçou os seus pais com muito carinho, que felicidade, finalmente chegou o grande dia.
"SENHORAS E SENHORES... É COM IMENSO PRAZER QUE APRESENTO O MAIOR ESPETÁCULO DE TODOS OS TEMPOS. COM VOCÊS, AGORA, O GRANDE CIRCO DO CILICO!"
Foi aquela explosão de alegria na platéia, os pais batiam palmas, as crianças pulavam, cantavam e davam risada com o inicio do espetáculo.
A banda começou a tocar uma música animada e um grupo de palhaços entrou a todo o vapor no picadeiro, alguns correndo e pulando, outros montados em bicicletas de uma roda só, guiando carrinhos de fumaça, todos com aquelas roupas coloridas e divertidas, dando trombadas, fazendo piruetas, levando tombos, espirrando água e mais um montão de brincadeiras muito engraçadas. Depois foi a vez do malabarista, com as suas argolas, garrafas, bolinhas e até punhais, depois o equilibrista na corda bamba, a equipe de trapezistas, o belíssimo número da bailarina, que emocionou a todos, a coragem do homem bala, as acrobacias dos motoqueiros no globo da morte, os contorcionistas e mais um montão de atrações. Uma maravilha de espetáculo que apresentou mais de 2 horas de pura mágia, que estampou um sorriso largo em cada rostinho que estava presente naquela fábrica de felicidade chamada circo.
A tarde terminou com o número do mágico, o mais aguardado por Pedrinho, que ficou hipnotizado quando viu a assistente ser cortada ao meio dentro de uma caixa de madeira e continuar mexendo os dedinhos do pé. Ele não entendeu como tantos coelhos cabiam dentro daquela cartola pequena do mágico e nem como era possível alguém simplesmente desaparecer, ficar suspenso no ar, mover coisas a distância... um doce mistério que desafiava a sua imaginação.
O menino estava encantado e assim ficou até o final do número, até o final da tarde, até afinal, conseguir olhar para os seus amiguinhos e combinar novamente a brincadeira do circo, que se repetiria muitas e muitas vezes após aquele Domingo.
É lindo ver o sorriso de uma criança na hora em que o seu sonho esta sendo realizado. Esta visão mágica, transforma para sempre o coração de quem teve o privilégio de assistir e entender este maravilhoso espetáculo.
FIM
Esta estória foi criada originalmente em preto e branco, no formato 'LIVRINHO DE COLORIR', para ser distribuido no primeiro aniversário do meu filho Pedro.
A Sinfonia das Folhas - Parte 1 - Da série VCSC Infantil
Me deu vontade de escrever alguma coisa para criança, era 2003, não lembro o mês. Li uma estória bem pequena do amigo de um antigo patrão, a ordem era publicar essa estória num livro infantil. Eu não gostei da estória e resolvi escrever outra por conta. A minha estória ficou exatamente igual a todas as outras que li até então, o que para mim é uma vitória. Adorei a aventura de ESCREVER UMA ESTÓRIA INFANTIL, os desenhos, fiz com canetinha e guache, ficou meio borradão, mas é honesto,tentei finalizar no Photopaint. É difícil, bem mais dificil do que parece, e prazeroso.
l – O presente de aniversário
Conta-se que certa vez, em uma floresta muito distante daqui, viviam as árvores mais bonitas que o mundo já criou. Eram de várias espécies, idades e tamanho. Suas folhas eram lindas, nos mais incríveis tons de verde. Algumas brilhavam muito, eram como pequeninos espelhos pendurados pela floresta, refletiam a luz do sol quando era dia e a luz da lua quando era noite, outras pareciam de veludo, elegantes e discretas, algumas eram muito delicadas, pareciam feitas de papel de seda, bem fininhas. Juntas, davam um equilíbrio perfeito à bela floresta. A floresta com o verde mais encantador que já se teve notícia. Encantador, lindo, fascinante. Porém, com um toque de tristeza no ar. Essa tristeza, diz a lenda, vinha das belas árvores da floresta, que sentiam falta de alguma coisa, todo aquelelindo verde não era suficiente para alegrá-las.
O tempo foi passando, a floresta continuava cada dia mais linda. Seres encantados passeavam por seus bosques. Estavam lá quase sempre: fadas, duendes, gnomos e magos. Gostavam do ar puro daquele lugar, da água supertransparente dos rios, dos bichinhos maravilhosos que pulavam, brincavam, corriam e até falavam, e da música que podia ser ouvida em todo canto, tocada pelo vento, chamada de “sinfonia das folhas”. Tudo era beleza naquela floresta.Tanta beleza fez com que a princesa LIM, herdeira de todo o reino de VERD, pedisse de presente de aniversário ao seu pai, o rei BOM, um castelo no meio da floresta. Na realidade não foi só o castelo que ela pediu, queria toda a corte daquele reino, morando na floresta, usufruindo ainda mais daquelas sombras fresquinhas e relaxantes proporcionadas pelas árvores. Acreditava que dessa forma, iria melhorar ainda mais a vida da sua corte e faria a floresta, além de bela, ficar alegre. Afinal de contas, todos eram muito felizes naquele reino e a felicidade é contagiante. O Rei BOM concordou com o presente. Não só concordou como achou muito nobre e inteligente o pedido da filha, nunca soube, até então, de alguma princesa dividindo um presente de aniversário, principalmente de 15 anos.
As obras para a construção do novo castelo começaram imediatamente, os melhores magos-engenheiros, arquitetos-bruxos e operários-feiticeiros participaram. Num piscar de olhos, um novo castelo, lindo como a floresta estava em pé. Era algo novo, amplo e sua cor simplesmente FANTÁSTICA, o castelo tinha o tom do verde da floresta, ninguém até então havia conseguido tal proeza. A corte ficou empolgada, não viam a hora de mudar.
ll -A festa
A festa da princesa LIM aconteceu no novo castelo, tudo foi maravilhoso, a decoração, a comida, a dança e os convidados. Havia gente de toda parte, até dos lugares mais distantes, como o Reino de Flora. O príncipe GÁLAN de FLORA fez questão de comparecer, sempre ouvia falar de VERD, da bondade do seu soberano, da beleza da floresta e da princesa LIM. Nunca, alguém de Flora havia visitado VERD. Quando foram apresentados, GÁLAN e LIM
, alguma coisa aconteceu, GÁLAN percebeu que a distancia percorrida para comparecer a festa, era pequena perto de toda a beleza que estava sendo contemplada por seus olhos, LIM, com o coração acelerado, sentia que sua vida iria mudar a partir daquele momento. Os olhos dos dois brilhavam muito, não se desgrudaram a noite toda, foi amor à primeira vista. Aquele dia era realmente muito especial, castelo novo, festa, floresta e um amor.
lll – O grande diamante verde
A vida continuava alegre e feliz no Castelo, que começou a ser chamado por todos de “O grande diamante verde”. A freqüência na floresta aumentou, mais pessoas passaram a celebrar aquele espetáculo em forma de natureza, mais crianças dividiam com seus pais o prazer de passear pela floresta, de poder brincar entre as árvores e participar de toda a magia que fazia parte daquele cenário. Tudo na mais perfeita harmonia, como sempre, tudo dentro do que foi planejado pela princesa quando pediu o castelo de presente ao pai, tudo perfeito, não fosse a velha história das árvores continuarem tristes, tristes e belas. Este fato, somado a ausência do Príncipe GÁLAN de FLORA, que depois da festa simplesmente sumiu, fazia a princesa LIM, experimentar uma sensação que desconhecia até então, a sensação de tristeza. Essa tristeza fazia com que a princesa ficasse cada vez mais parecida com as árvores da floresta, bela e triste. A cada dia que passava, falava menos, comia menos e saia menos do seu quarto. A alegria das pessoas do seu reino, da sua corte, não fazia a menor diferença, não a contagiava.
O Rei BOM começava a ficar preocupado, será que a tristeza das árvores estava amaldiçoando a sua filha querida por ter colocado um castelo no meio da floresta? Será que o seu presente, dado com tanto amor e carinho, estaria transformando a sua filha em uma árvore? Porque? Ele não conseguia entender. Um reino tão feliz não representava mais nada para a sua filha. E assim seguiram os dias, a princesa no seu quarto, sempre na janela, parada, observando a floresta, sem emitir um único som, apenas ouvindo a “sinfonia das folhas” e mais nada. Foram chamados os melhores médicos, os maiores sábios, magos e feiticeiras. Nada funcionava, ela não falava, como as árvores, continuava linda, quieta e triste.
Era manhã, o sol brilhava muito, céu azul, nuvens compondo os mais belos desenhos no ar e a sinfonia das folhas alegrando a todos os ouvidos da floresta. Mais um dia começava, a rotina de VERD continuava normal, tudo era paz, tranqüilidade e harmonia. O único lugar em todo o reino que mudava essa rotina era o quarto da princesa LIM no grande diamante verde. Lá, a um bom tempo, o seu coração triste chorava. LIM, no seu silêncio, refletia muito sobre as coisas da sua vida e sobre a tristeza que sentia. Entendia, que estava cada vez mais, como uma das árvores da floresta, que a felicidade é algo pessoal, difícil de ser transferida e ninguém é feliz quando se sente incompleto, as árvores tinham aquele ar triste porque se sentiam incompletas, assim como ela.
A tristeza de LIM estava com os segundo contados, um pombo mensageiro encantado mudaria toda essa história, era muito grande, o maior que já se viu, veloz, sua cor prateada chamava a atenção de todos, sobrevoou todo o reino despejando pétalas de flores de todas as espécies e cores foi uma cena maravilhosa. Quando LIM assistiu, da janela do seu quarto, o espetáculo da chuva de pétalas provocada pelo pombo prateado, sentiu novamente, em seu coração, aquela alegria de viver que possuía, sabia por intuição que era coisa de GÁLAN, imediatamente voltou a falar, a sorrir, saiu de seu quarto correndo, quis logo saber a mensagem que o pombo guardava. Era uma carta e um presente para a princesa. Uma explicação de GÁLAN pelo seu sumiço, um pedido de desculpas e muito mais.
“Amada LIM, sei que desapareci depois da sua encantadora festa de aniversário, isto aconteceu contra a minha vontade, não tive opção e só agora posso me explicar.
No retorno ao meu reino, após a sua festa, quase no fim da jornada, quando passava pelo vale de GUISO, fui picado por uma cobra NAJA, só não tive morte imediata porque, na minha comitiva, havia um Druida e fui socorrido a tempo, ele, por sorte, havia colhido folhas Balsâmicas e raízes curativas da floresta de VERD, o que possibilitou a criação de um antídoto que salvou a minha vida, porém fui atacado por um efeito colateral fortíssimo, caindo em sono profundo até a cicatrização total da picada, o que levou alguns meses. Como ninguém da minha comitiva sabia sobre o meu amor, somente agora consigo dar notícia.
Espero que compreenda e me desculpe. Toda a chama daquela noite em que nos conhecemos continua acessa dentro do meu peito, no meu coração, ainda ouço as nossas jurar de amor e quero poder cumpri-las.
Espero também, que goste da chuva de pétalas. Tomei a liberdade de pedir ao meu mensageiro encantado, que espalhasse na sua floresta, muitas mudas das mais belas flores que temos aqui em FLORA, acredito que a cor de nossas flores combine com o tom verde maravilhoso da sua floresta, é uma forma de agradecimento, afinal de contas a minha vida foi salva graças a ela.
Termino com um pedido que, se for aceito, vai me transformar no mais feliz dos seres, este pedido vem em forma de alianças de noivado. Espero que aceite.
Com Amor
GÁLAN, Príncipe de Flora."
Não existem palavras para explicar a alegria daquele momento, as lágrimas de felicidade, o sorriso lindo e as cores de todas aquelas pétalas. Rosa, amarelo, azul, branco, vermelho, laranja... Todas as cores que se pode imaginar, misturadas ao verde da floresta. Todos que viram ficaram encantados, a alegria foi tão grande que contagiou a todos. Pela primeira vez as árvores cantaram e a sinfonia das folhas ficou muito mais linda, celebravam a alegria de sentirem-se completas. Naquele dia, cada árvore se transformou em uma linda princesa alegree feliz, sendo pedida em casamento por seu príncipe. Cada pétala que caía do Céu provocava essa mágica.
A Princesa LIM aceitou as Alianças, GÁLAN foi visitá-la logo em seguida para fazer o pedido oficial de casamento ao rei BOM, que ficou emocionado com o pedido e só fazia pensar nos futuros netos. Eles se casaram e GÁLAN foi morar no Grande Diamante Verde no novo reino que a partir do casamento da princesa LIM passou a chamar-se FLORA VERD, tiveram quatro lindos filhos e foram felizes para sempre.
Não quero mais lembrar as histórias que me deixam triste os sonhos de quem desiste as noites de insônia, terremotos no coração
Não quero mais chorar a ausência de quem não existe uma ficção, um filme “B” sobre traição tesouro de pirata, jóia de vidro que corta a mão
Por isso morro pra nascer de novo com a alma alegre e desencanada outro caminho ficar bem sozinho estar a disposição isso acontece com quem tava vivo e acreditou na fada encantada que vira bruxa e sai voando vai enfeitiçar um novo coração (bis)
Não vou mais reclamar um passado que não aconteceu pois só era real quando podia manter seu céu e morreu junto com as moedas que dividiram seu aluguel
Não vou acreditar em qualquer jura de amor ateu uma fissura, um filho que se perdeu me fez ficar mais doente virei bandido quando você me disse adeus
Estamos juntos esta noite esperando mais um amanhecer Estamos juntos, brindando a madrugada, viveremos de tudo Nada vai nos surpreender Se o trânsito flui como nossas intenções, um milagre aconteceu (Valeu São Paulo) Só nos resta então, bater em retirada, sair de campana
Da Praça Panamericana (bis 4 x)
Posso pegar a marginal, Chico Morato ou coisa e tal Voltar pela Sumaré Parar num bar só pra dar clima, na Nova Faria Lima Ou Juscelino Kubitschek
Que tal pegar uma cantina, a Bela Vista é coisa fina Quer cantar num Karaokê Comer sushi na Liberdade ou só rodar pela cidade
Da Praça Panamericana (bis 4 x)
O importante é que nossas idéias batem Pelo menos por em quanto Ao som do soul do Earth, Wind and Fire, Jame Brown e Tim Maia Até pararmos (stop) Escolha o quarto (stop) E só voltar depois das 4 vendo o sol nascer pela Brasil Sentindo o seu sorriso de primavera Quando passamos em frente ao Obelisco do Ibirapuera
Voltar pra Praça Pan-americana (bis 4x)
(*)Assista ao vídeo desta música no YOU TUBE, clique aqui